2025-01-02
A Latina fecha depois de amanhã e ninguém quer verdadeiramente saber
2024-07-18
Belén Caccia
Belén Caccia. Quem é? Esta é uma crónica sobre espanto em tempo de desencanto, sobre elevação no centro do abuso de aspecto triste e pequenino, mas que mói tanto como o que parece grade e arrasador. Quem é? Estes são os tempos em que fazemos sempre esta pergunta e queremos responder sem ajuda e sem critério. E a maior parte de nós não quer realmente saber a resposta: não quer saber quem é a pessoa, apenas de que forma pode servir os seus próprios interesses ou ser tolerável no momento em que se cruzar com ela. Assume que é o capuchinho vermelho e só se quer certificar que do outro lado não está o lobo mau pronto a roubar-nos o almoço e a comer-nos a avó. Não conheço muita gente que faça uma utilização cívica e social da informação que obtém. Já conheço muita gente que pura e simplesmente não quer saber. Em eventos públicos como festivais literários isso é flagrante e agora sim, vou armar-me em carapau: eu nunca fui a um evento em que tivesse um ou mais interlocutores ou companheiros de mesa sem saber o possível quem eram e o que pensavam e, sendo artistas, o que faziam ou tinham escrito (lendo) ou pintado ou cantado ou tocado. Muitas vezes cheguei às mesas a saber mais deles do que de mim. E tive sempre o cuidado de lhes dar o protagonismo, subtraindo ao meu. A verdade: fi-lo nos primeiros tempos (na literatura) porque não sabia tê-lo (ao protagonismo) e nos seguintes porque realmente me interessa sair de um lugar diferente do que nele entrei e a diferença não sou eu, são os outros, os que conheço de novo.
Quando fui a Madrid no fim de Maio - nos próximos dias levantarei o véu sobre este dois dias e meio magníficos - sabia que a minha anfitriã seria Belén Caccia. E obviamente a pergunta foi:
Quem é Belén Caccia?
Quem está a ler isto vai querer saber e a primeira via é o Google, por estes dias, como noutros foram as páginas amarelas. Normalmente inconsequente ou incompleta (se me pesquisarem, por exemplo, não há forma de aquele “advogado” se me descolar do corpo porque o Google não quer, mesmo que eu preferisse ser só escritor quando fosse pesquisado, ainda que um dia, em São Pedro do Corval, Alentejo, dito o maior centro oleiro do país, depois de ter dito ao rapaz que nos serviu a refeição de um restaurante local que era escritor - decidi nesse dia que me intitularia isso antes de qualquer outra coisa, que no fundo é o que sinto - e ele ter respondido “está bem”e ter voltado um minuto depois e perguntado: “Agora a sério, o que é que faz mesmo?”).
Quando pesquisei Belén Caccia os resultados do google foram avassaladores.
Aliás, basta consultar o curriculum da Belén no seu pórpio sítio para ficar de queixo caído. E eu que pensava que ia ser recebido por uma anfitriã institucional simpática e cordata, percebo que quem me espera é um par das Artes e mais, é alguém com um vasto curriculum que merece atenção, que merece que me importe com ela: precisamente o que eu sinto não acontecer em meios que deviam ter sempre o propósito colectivo acima de qualquer propósito individual.
Tão vasto que decido suspender as leituras e as séries e os filmes durante pelo menos dois dias para absorver tudo o que me fosse possível de uma mulher com mais de trinta anos de carreira sempre ao mais alto nível e que é dramaturga, actriz e encenadora (de Shakespeare, entre muitos outros) e professora de teatro. Ou seja, esperava-me uma pessoa valorosa. Fiquei feliz e fiz uma vénia ao destino antes de a fazer à Belén. A carreira brilhante da Belén precede-a e está espelhada no seu portal profissional. Ainda que impressione, o que mais me impressionou foram outra coisas e delas quero dar testemunho.
A Belén tem um “problema”. É uma mulher deslumbrante, “ainda que” (o sublinhado não é inocente) esteja já perto dos cinquenta. Foi mãe aos 40 e disso fez gala, com grande coragem. Foi uma grávida belíssima. Tem um filho mágico (por mérito próprio) chamado Oliver. E ela própria disse em entrevistas que sabe tirar melhor partido do corpo na idade actual do que quando era mais nova.
Do vasto material que fui absorvendo durante esses dois dias fechado a tudo o resto, vi sempre talento, mesmo no papel mais difícil, que tem dominado muito os dias de Belén Caccia desde que veio do seu país natal, Argentina, onde fez praticamente toda a sua carreira, para Madrid, onde começou do zero (quanta coragem!): stand up comedian.
Ri-me muito, mas também fiquei em sentido. Na verdade fiquei deslumbrado.
Deixem-me acelerar o relato até ao ponto em que também fiquei envergonhado, embora não me espante no mundo de hoje e principalmente no mundo dos homens de hoje que não se sabem conter no seu pequeno poder digital e preferem o ridículo, que nos envergonha a todos:
No seu instagram a Belém tem uma secção chamada “bloqueaditos”. Quase todos homens, pois claro, como também são quase todos homens os violadores e os abusadores. E estes não contribuem para uma pacificação para que seja possível voltar a dar colo às crianças e haja espaço para os homens bons. Porque o erotismo e a sexualidade são coisas que exigem lucidez, despoluição mental, classe, tento e respeito, não diabolização. Foi confrangedor ver como se comportam os homens só porque a mulher é bonita: não lhes importa se é valorosa. O ridículo em que tantas vezes caímos sem termos noção. Confrangedor e enriquecedor.
Não foi surpresa para mim que a maioria dos trogloditas achem que uma mulher bonita que se mostra deslumbrante não pode valer muito. E não valendo muito eles sintam que lhe têm acesso fácil só porque está ali no instagram e podem dizer a primeira coisa que lhes vem à cabeça. E ainda achem que ela lhes vai cair nos braços.
Repetem-se quase como se fossem invariáveis e invevitáveis os clichês do “princesa”, “rainha”, “deusa”, os convites ostensivos para sair ou para serem recebidos por ela em casa. Às vezes são explícitos e deram-me a verdadeira medida do atraso masculino quie ainda persiste e que ainda é do tamanho de Júpiter.
A Belén enfrenta tudo com coragem e determinação. E classe e beleza. E inteligência. E humor. É um grande exemplo de força para qualquer pessoa, mais ainda do que para qualquer mulher.
Veio de um continente e de um país, o seu, onde era sobejamente conhecida e figura pública para um meio e um país, o do nascimento da sua língua, quase sem rede. É o verdadeiro esplendor, mas pouco conhecida à escala espanhola e obviamente ainda menos portuguesa e europeia. E depois? precisamos que seja “conhecida” e “socialite” falada em todos os meios de comunicação para lhe darmos valor? Esse é o ponto. O combate de décadas pela dignidade e superioridade da mulher nunca esmoreceu, fosse ou não reconhecido pelos poderes e pela imprensa.
E o que faz a maioria das pessoas (homens acima de tudo e infelizmente)? Pergunta quem é e que projecção tem. Responde de forma frívola e simplista logo a seguir. Muitas vezes com menoscabo.
Pois eu, quando tive a mínima noção da pessoa que ia conhecer, fiz traduzir e ajudei o mais que pude a Cristina Vicente a rever a tradução da única peça que escrevi, “Ekaterina com as mulheres sobre tudo”, até hoje só representada parcialmente, levei-a pronta e dediquei-lha dizendo, como só direi a alguém que respeite muito: “Gostava que fosses a primeira pessoa em Espanha a encenar a minha peça”.
Não farei muito mais para vos convencer que ao acompanhar a Belén Caccia estamos garantidamente a acompanhar uma grande e, seguramente, uma das maiores.
E que não importa que isso tenha apoio em currículos vazios e produzidos para o efeito. Não. É mais justo vê-la, acompanhá-la, rimo-nos com ela.
Dos projectos correntes, além de podcasts e entrevistas, e ela nunca pára, todos tive pena de não ter visto senão extractos, como MILF (“Mujer inteligente, libre y felíz”), que está a ser um grande sucesso sempre que tem uma representação, qualquer encenação do Shakespeare, mas também qualquer noite de Belén ao vivo como stand up comedian, sendo certo que, como ela própria diz e é inteligente e sábio, ainda não se mete em política espanhola, como fazia na Argentina.
É uma mulher que trabalha tanto e pega de frente todos os problemas e não há um minuto perdido em todos os que lhe dediquei e dedico. E é linda e isso não pode ser um problema.
Quem é Belén Caccia?
É simplesmente uma artista maior.
Maior ainda do que isso.
O que percebi é que, além da sorte (minha) de a ter como anfitriã, o espírito de combate da Belén é tal, a tarimba para a luta e os projectos múltiplos, que ela própria não pára um segundo para ouvir elogios e em princípio não acredita mesmo que é já uma das maiores do seu tempo. Não é na Argentina. É em todo lado.
E eu com isso. E nós com isso.
Os sábios são sempre assim: por mais brilhantes ou belos,
têm sempre o pescoço curvado em vénia.
Em princípio não nos deve interessar quem não se apresentar em vénia. Ela faz isso. E temo-la aqui, do outro lado do ecrã.
Aproveitemos a excelência enquanto aí está.
Obrigado, Belén!
#Belencaccia #madrid #argentina
#pedroguilhermemoreira
PS: não consegui descobrir quem creditar a belíssima composição fotográfica. Quando souber, prometo que o faço.
2022-01-30
Open letter to His Excellency the Great Bryan Adams
Dear Bryan,
Thank you for coming back and bringing Heaven with you.
We hadn't spoken since the summer of '85. The last time we were together you couldn't see me and I could only imagine you. Heaven didn't talk to me and I din’t talk to Heaven. Because days before, I had found myself distressed in Armação's east room, my room, while I was trying to crush an insolent and rebellious tear on my cheekbone and the sun was burning on my face, on the Galé side, and I told everyone that I would never leave the room, that I would stay in that room forever. At least as long as my face and chest didn't dry out. I never explained the impossible to you, nor to you nor to anyone else. At the time I turned my back on Heaven, I incomprehensibly chose Blue Eyes to become a man again. I achieved it. I pretended that love was a whim and after all, you and I know that, it's the most violent of superhuman truths. Nothing cheesy, nothing sensitive, life has beacons, death and birth, the rest is love. As if love was part of an american sandwich stuffing and she wasn't American. And she was anything but American. And when love is captured in the palms of the hand with the right refraction of light, it overcomes all. It seems to overcome life itself, death itself, as if it happened on a plane of existence that we do not have access to if we are not attentive or the day is not clear. Better than clear: transparent. Because when light penetrates refracting media, its speed decreases and everything becomes more noticeable.
So thank you, Bryan.
Thank you for making me overcome death again. The road, which had narrowed, widened again with you. Thank you for bringing back those times when we saw tanned brunettes passing to the beach and we only knew how to smile in the distance, or smell coconut oil close by, nothing more, we fled the salon at the first chords of Heaven so we wouldn't be invited to dance and stayed watching the aftermath behind thick black velvet curtains that grandma had bought by the meter at the fabric house so that our private party could look like a nightclub . All our parties were spectacular. All. But this time we were so scared to go to your concert 22, thirty-six and a half years after that summer when I isolated myself in the east room. There are those who are only prepared to die: for these we are all old and there is nothing to do, you don't sing, you explore, we only know how to spend money in concert tickets to validate our little life. Even in a mask. I put two. We expected chaos and knew we were really going to die of sadness there, poor 50s gray-haired defying the pandemic for music out of time. Wow. The pessimists may be right: endless lines! Are we really all old?, are you too?, are we just going to be poor gray-haired fifty-somethings playing sad figures? But after all, our children are here. Almost our grandchildren. What's up, Bryan? Is it Spotify? Are you still playing in clubs or was it the Spirit soundtrack that kids saw crying on Saturday mornings, when, for a long time, we, their age, only had the tv technical screen? The stupid ones served beer in the back of the pavilion. The stupid squares brought about two glasses of beer in each hand to the middle of the pavilion and had to take off their mask to drink. Seriously sick people with pre-pandemic festival syndrome. You didn't know this, did you? In fact, as soon as you took the stage we were all hypnotized and the beers stopped and whoever dared to go get more or take off their mask had threats of beating while you started with Run to you.
“She says her love for me could never die
But that'd change if she ever found out about you and I”
When you love someone. Straight from the heart. Do I have to say the words?
Half-light. Slow pace. The velvet curtains closed. Pairs are formed. She lifts her arms around my neck. The synthetic keyboard begins Heaven. The guitar chords.
“Oh, thinking about our younger years.
There was only you and me, We were young and wild and free…”
Her head is tilted slightly, her breath and lips very close.
What do I do?
She advances with her tongue and we both stay there until our lips burn. It was customary, twenty-five-minute kisses. Burnt lips and hickeys like spoils of war.
We don't even notice that the slow musics stop with the chords of the summer I was born.
In your song about the summer I was born there was always something unrestrained, merciless. Summer of 69 is me and nothing before. It's just that singing about the summer that brought me into existence doesn't bring things that are easy to manage without going back to it, to the commotion that crushes the cheekbones and it can happen that I teleport myself to the east room and that's not good.
“I got my first real six string
Bought it at the five and dime
Played it til my fingers bled
Was the summer of '69”
But live, you right there in the front, real, the words of the song playing on naked bodies behind you and the tattooed “Summer of 69”. That's why I remembered my mother Mena a lot, because that was precisely the summer she became a mother. Thanks to me.
Standing in your mamma's porch
You told me that you'd wait forever.
They are the only possible promises, the ones that are made forever.
A few years later I made it to the girl who is still my wife: if you have any doubts, I can wait forever. It was an Air Supply theme on the Ghostbusters album. My anxiety and my lost gaze was over, the love that was already there and I didn't want to give it to anyone who wanted me just for a night of slow songs and dance.
The first time I went to her house, she showed me your Reckless vinyl. Then thirty-something years go by again, now this is how we count the memory jumps, and she sees the announcement of your concert in 2022. She receives that as gift on Christmas Eve. We look at the numbers of the pandemic. There is no enthusiasm possible. A lot of people cancel concerts after concerts, I imagine you've thought about that too. The day before we do those antigen tests and they come back negative. It seems like we're going to see Bryan Adams. The scary lines make you think it won't be that night. Then you come to this night that becomes out of this world: you had already disappeared from my playlists, but in the morning after the concert I went to the market to buy the best live versions. Mtv's Unplugged, Australian Tour, Bare bones, which is a great live album. There are already more than twenty songs on the brand new “Bryan Adams” playlist in my phone.
But do you know that in none of these concerts did I hear delirium like yesterday? Is it because it's mine? Is it because it's the night we finally met after the hassle with Heaven?
Extraordinary show, this one in Porto (Gondomar). The cameras around you, all in our eyes. The public seeing itself and maybe you were right and it wasn't just sympathy: we were also good as public and we were the first on your new tour after two years stopped by the pandemic. The lights. You. The sound. After all, there are those concerts that justify every cent of the ticket and have the perfection of professionalism showing the possibility of the failure of all most perfect singer your are. Rock is the fault through which the light enters. And how well you fail!
Thank you, dear Bryan, for eternity. 18 till I die. Mother Mena, even though she died, I felt here today by my side saying "finally, Pedro, you arrived in time to see him". I, who could never buy an LP from you. I wanted to tell her. Without dying first, like her. And Vera next to me, hand in hand, became all the girlfriends, all the kisses, all the slow dances. If we watch carefully, people twist their bodies in a time-regression position. They close their eyes, not out of nostalgia, but because they are boarding the DeLorean back to immortality. Some cry inside. Some cry on the outside.
But it was you, dear Bryan, who lost the right to die. And I of sleeping today. There is rock everywhere, inside and outside of me, and because of me walking around the house only apparently quiet at dawn, inside and outside the thousands who applauded you, inside and outside the world, but no one needs to count sheep to fall asleep. Just remember those smiles back, the smiles os usl around you, your smile and your musicians smile. These, the most beautiful, those of victory over death.
I had already forgotten how When you love someone had declined me and today it breaks me down:
When you love someone
You'll do anything
You'll do all the crazy things that you can't explain
You shoot the moon
Put out the sun
When you love somenone
At the end of the night, we'd like to hug everyone who felt the same, thirty five years ago and tonight, but we're basically alone listening to When you love someone on repeat.
Thank you dear Bryan.
PG-M
Pedro Guilherme-Moreira
2020-10-20
Os maus ainda estão aqui e são tão bons como nós
Esta foi a última fotografia que tirei em Buchenwald. Não leiam mais, se vos parecer insuportável. Dei a volta ao contrário, comecei no deserto de cascalho do lugar onde outrora funcionavam os barracões-dormitórios-cant
#Buchenwald
#pgm
2018-12-17
10 pessoas a evitar no meio literário português
(continua no Patreon. Ver explicação abaixo)
2018-12-10
Começar do Zero no novo mundo
contrário da cultura, sinto muitas vezes que estou a perder tempo e a gastar recursos para nada ou até para as contas do Estado ficarem no negativo e não pagarem às pessoas (advogados oficiosos, magistrados, funcionários) o que é devido e no tempo que é devido. Quero reduzir o meu advogar ao que é útil social, cultural e desportivamente. E ainda tenho oslivros que vou lançando e as crónicas que suspendi para repensar tudo. Há investigações dispendiosas, como a que faço há 20 anos em Paris para o livro do meu bisavô escultor. Sou mau a fazer fortunas, mas gosto de pessoas. Há 3 meses saí das redes sociais para me olhar de fora, e percebi que não preciso de alimentar o ego ou sequer de ter uma plateia. Já pessoas que se querem contaminar umas às outras culturalmente, isso quero. Comoquero continuar a ter comigo aqueles que acreditam no mesmo e desafiá-los a serem patronos - porque isto acabará por inspirar outros. Das 5.000 pessoas
que me seguem entre facebook, Instagram e blogue, o objectivo é chegar aos 500 patronos até ao final de 2019 e aí lançar o projecto More 3, que apoiará a excelência dos jovens e a cruzará com a excelência social dos carenciados. Até lá, é para amealhar. Os Patronos podem cancelar, aumentar, diminuir a sua contribuição a qualquer momento e podem interagir dentro da comunidade, o que será muito bem-vindo (sugestões, pedidos, etc). Conto dar aos patronos muito mais do que até aqui. Além da crónica, fotos e da revisitação histórica dos melhores momentos, conto dar sugestões gastronómicas e de viagens e alguns vídeos e áudios, alguns directos de eventos e grandes competições, live chat e coments, coisa que nunca ou raramente dei. Senti falta de muitos de vocês, mesmo os mais caladinhos, e a minha ideia é ter essa comunidade mais estreita comigo, por um euro que seja. Quero agradecer ao Unas a inspiração do projecto dele, o MalucoBeleza, e espero-vos, ainda hoje, no barco. Ou então reflictam e pensem que o vosso Euro pode gerar coisas boas. E se multiplica por 3. More 3. Por isso, querendo e acreditando, partilhem, pf. Obrigado!!
2018-07-01
Como nunca perder (e perder como nunca)
Está bem, a glória facilita e anestesia algumas dores e deixa a memória e a nostalgia como drogas de resgate de alguns desesperos e desventuras. Mas o que resolve é a atenção. Saber escutar o mundo e o outro. Saber observar. Deste grandíssimo evento - como o são todos os mundiais - fica-me aquele estrondoso jogo com a Espanha e a superação desse atleta excepcional. Mas comovi-me mais com a festa do Panamá no golo de resposta aos 6 de Inglaterra. Agora, como todos, quero sarar. E, como a maioria, espero outras coisas. Bem maior do que esse Espanha Portugal foi a promoção desse outro Portugal, o que joga voleibol, à elite mundial. Lá também temos este Ronaldo da foto, que se chama Alexandre Ferreira. Ganha pouco dinheiro e joga longe de casa, na Coreia. Para o ano, pode até acontecer que Portugal perca todos os jogos na elite. Não serão menos do que os que hoje perderam em Sochi. A adormecer, aqui no quarto ao lado, tenho o meu herói máximo, um que fiz e que agora voa sozinho. Trabalha todos os dias muitas horas, ele e mais uma dúzia, para honrar as quinas num Europeu inédito que se joga a partir de 14 de Julho. Ainda estudam, todos estes heróis estudam, sem qualquer apoio.













