Tal como no post que publiquei há anos a partir de uma fase final de infantis, parto para uma curta reflexão a partir das duas fases finais nacionais de juvenis - masculinos e femininos, e antes que uma nova semana comece e nós, os que amamos o voleibol e o desporto que ama (ou amador), mas não fazemos dele profissão, tenhamos que pensar noutros ofícios.
É um momento incrivelmente importante, este, e de que nem todos tiveram, provavelmente, consciência: os nados e nadas em 1999 acabaram precisamente hoje, com o apuramento dos campeões femininos e masculinos, os escalões de formação.
No voleibol, aos juniores chama-se escalão de aperfeiçoamento. Além disso, sendo um escalão com dois anos e em que se estreia a figura do líbero, permite outro tipo de variações, uma orquestra mais rica e novas caras.
Nestes quatro anos de formação desta geração 1999, infantis, iniciados, cadetes e juvenis, houve no voleibol masculino, que eu acompanhei de perto, precisamente por ter um filho envolvido, apenas dois treinadores campeões: Durval Pinheiro, com o Ginásio de Santo Tirso, no escalão de infantis (mais dois terceiros lugares), e José Moreira, nos restantes três escalões, um título pela Académica de Espinho, dois pela própria Academia José Moreira: em tempos polémico, estou em crer que vai sendo altura de o voleibol português reconhecer a excelência do trabalho desta outrora glória do voleibol nacional e do FC Porto. O Marco Silva, do Benfica, conseguiu a proeza de ser vice-campeão três vezes consecutivas, e 3º em infantis: mas faz falta competição aos clubes do sul. Hugo Leão foi vice-campeão pelo Clube Atlântico da Madalena, que este ano fez um bom campeonato de juvenis, recuperando algum do protagonismo de outros tempos. Resta, nas menções do pódio, o Leixões, que o conseguiu este ano com grande mérito, sendo uma das equipas em que se notou mais a evolução. Uma palavra também para as grandes escolas de voleibol do Esmoriz e da Académica de Espinho: esta, tendo visto grande parte dos seus jogadores transferidos para a AJM no escalão de cadetes, em 2014/2015, conseguiu reconstruir a equipa com grande qualidade: grande parte dos atletas poderiam jogar pelo escalão abaixo. Última palavra para os que não vieram a fases finais, sendo o caso mais gritante o de outra grande escola de voleibol, Académica de São Mamede, que, tendo dominado algumas fases regionais, acabou por nunca conseguir estar presente numa fase final. Talvez isso não seja determinante no amor pelo voleibol: se afecta, é o amor próprio, mas não devia. Na minha carreira, só fui a uma fase final, pelo Sporting de Espinho, e perdi com o Leixões a final. De resto, era quase sempre 5º classificado no clube onde fui mais feliz: Colégio dos Carvalhos. Foi a jogar no CIC que eu e o meu irmão fomos chamados à selecção que disputaria o Europeu de 1988. Ter títulos é saboroso, vibrante, pode ser crucial numa carreira mais a sério, mas uma das lições que aprendi mais arduamente é que não devemos perder a hipótese de ficar ligados ao desporto que amamos, mesmo que o não pratiquemos ao mais alto nível. Eu afastei-me do voleibol quando fui estudar para Coimbra e só voltei a ele vinte anos depois, quando o corpo já não nos deixa fazer tudo o que queremos. É por isso que o conselho mais vivo que deixo aos voleibolistas que se queixam de falta de oportunidades e de serem preteridos pelos treinadores ou ficam esgotados com o trabalho e com os anos de sacrifícios, é que não sejam "meninos" e se deixem estar apenas pelo amor à arte. Nem todos têm de ser excepcionais.
Claro que alguns são. Habituei-me a admirá-los, quer nos meus colegas de equipa quer, agora, no voleibol que vejo em todos os escalões, nos colegas e nos adversários ou colegas de selecção do meu filho. Há atletas notáveis de todas as idades. Às vezes ao nosso lado. É bom observá-los, admirá-los. Alguns integram desde já projecto de alto rendimento das selecções nacionais. Qualquer país com resultados de topo tem o desporto de alto rendimento intimamente
Finalmente: é hora de ver o voleibol crescer a nível mundial.
Gostava que o voleibol fosse mais bem vendido, que tivesse mais procura e respeito pela sua base de fãs e praticantes. Afinal, é pouco conhecido o facto de que o voleibol é o quinto desporto, a nível mundial, com maior número de fãs, quase mil milhões.
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