Ovar, o FLO, o Festival Literário de Ovar, o primeiro, este de 2015, foi um momento singular em que me deixei estar naturalmente entre os grandes, mas quase não quero falar aqui de competências literárias, embora queira falar de memória e de presente. Gostava de falar da doçura e do respeito de senhores como Jaime Rocha, sublime poeta e marido da Hélia Correia, que eu idolatro e faço questão de idolatrar, entre outros, como o Miguel Real e o João de Melo, mas não só. Neste último caso, vi-me, nesse memorável jantar ovarense de escritores, noite alta, a ouvir a lucidez do João de Melo sobre a memória. Eu e ele, num troço da longa mesa e já na fase das migalhas, mas para mim no prato principal. Depois disso, sei que pediu os meus livros e os leu. Tive a honra de ouvir/ ler dele palavras que levarei para a sepultura (talvez até as grave na pedra tumular). Depois houve o dia em que ele me mencionou por escrito e publicamente, e isso para mim não passa. Tive esse dia cheio de comoção e "louvo-me" por ter podido
conhecer e ser alvo das palavras do grande João de Melo, que se
"louvou", e passo a citar, "por ter descoberto em Pedro
Guilherme-Moreira o autor fulgurante de "A Manhã do Mundo" (sobre o
quotidiano nova-iorquino dos mortos que nos saudaram no 11 de Setembro
de 2001) e de "Livro sem Ninguém"; e esta menção vale quantos prémios
vocês quiserem. Não o partilho porque me ache nada de especial. Partilho
pela raridade e pela beleza do acto num
dos grandes. Este homem, este meu ídolo, foi, por exemplo, o editor de
Memória de Elefante e de Os cus de Judas, de um tal de Lobo Antunes, e
também do Mário de Carvalho, entre outros. O que me comove é ter passado
no crivo de quem já viu muito. E é tão bom que tenha voltado e continue
a ver. (junto um printscreen parcial, porque a partilha não ficava
visível para todos). Abaixo podem também ver o vídeo que substitui a minha intervenção principal em Ovar e que nos deixou a todos plenos, porque todos, quase todos, acreditam que a literatura (também) é isto:

2 comentários:
Um autor português a louvar outros autores portugueses!, a reconhecer a existência de outros escritores portugueses! Isso é prodigioso o suficiente para merecer uma celebração.
Verdade, Luiz. Bem verdade.
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