2014-08-30

Dia 30




ao trigésimo dia 
do mês, finalmente 
Herberto 


porque nós comemos tudo 


"não sei como dizer-te que a minha voz te procura" 


fica em silêncio, então 

é hoje ou amanhã 
que acaba tudo 

e, 

ou não começas nada 
ou não terminas 
tudo 


fica em silêncio, então  
amanhã mesmo 


ou hoje 


cala-se o resto 
do mundo 

PG-M 2014

Último dia


Amo-te no último dia de todos os meses
não como no primeiro
porque é diferente o amor do fim
da tormenta do início

há uma linha fina
no princípio dos amantes

que no fim é larga e alta
e clara, ou

nada

PG-M 2014 / fonte da foto

Mar Babo


Fade out.
Este é o últmo "take" do video "May I feel said he", o poema quase onomatopaico e intensamente erótico e bem humorado (quase tudo, portanto) do E.E. Cummings, dito por Mar Babo.
Esta é a cara de um conceito: Mar Babo. Escolhi o "fade out", porque é o próprio conceito que se quer manter discreto. Não é notável?
Como sempre, Mar Babo está mais atenta do que todos nós.
Quando tomei contacto com este conceito, já ela conhecia o meu, bem mais limitado, já ela tinha os meus livros, já ela lera os meus livros. Há algo que me comove sempre em leitores desta estatura: a humildade de se manterem puros, no encantamento absoluto da leitura, algo que eu vou perdendo gradualmente, ao procurar vorazmente novas propostas, novas ocupações da página, ao ler como um escritor. Ler como um escritor dá cabo de tudo, menos da escrita e do sentido de orientação na literatura no tempo. Como somos pó.

Mar Babo faz arte.
Escreve, filma, fotografa com uma qualidade rara. Custa dizer que é uma mulher, uma mulher bonita, culta, completa, a rondar os trinta anos. Porque Mar Babo é um conceito. Estou até convencido de que, se concebesse um espectáculo e vendesse bilhetes, éramos todos uns privilegiados. Pode ser que não demore muito. É íntegra. Escreve perigosamente bem, com aquela pureza de quem experimenta há muitos anos e se contém.
Tenho dito e repetido: a característica mais forte da arte é a contenção.

Mar Babo tem feito muito, mas a divulgação é discreta, contida. Não sei se isso é justo. Afinal, ela merece o mundo, mas talvez saiba que o mundo pode não a merecer totalmente. Bem divulgada, Mar Babo há muito seria uma artista pop da - imagine-se - literatura. Mar Babo faz vídeos pop com grande literatura, como este "May I feel said he". Afinal, foi o que sempre sonhei, e ela faz prova. Como trazer a grande literatura de volta às massas. Não é vendendo o fácil, porque tem de ser, tratando o povo como burro. Seria burro o povo que se colava ao ecrã a ver Villaret, Viegas, Nemésio? Ah, eram outros tempos, diz a habitual ignorância das coordenações mediáticas, que se gabam de pensar que sabem tudo o que nós gostamos e queremos consumir, nivelando por baixo o prime time (que nos EUA, ainda há bem pouco tempo, era constituído por séries de qualidade).

É mostrando-lhes como o melhor pode ser sublime que Mar Babo se distingue. Mar Babo tem também aquela característica corajosa de se expor. A exposição permite a sindicância do público, ainda que restrito, e com isso, quase em tom socrático, o artista, qualquer artista, cresce. As fraudes, esse novissimos cujas provas dadas são apenas bons ombros - na literatura, mas não só - mostram-se a espaços e sempre protegidos, escondem-se dos seus leitores. Mar Babo mostra, aprende, cruza-se consigo própria.

Fade In:
O vídeo concebido, filmado, montado, do "May I feel said he" é, seguramente, das coisas mais vibrantes, depuradas, autênticas, que tenho visto fazer à grande literatura nos últimos anos. Figuraria em galerias de momentos notáveis de um poema, mais do que bem dito, jogado. É todo o corpo que se sente afogado pela forma como a dizeur/ realizadora/ modelo/ fotógrafa nos cerca. Pena ser restrito. Tinham de ser amigos da Mar Babo no facebook para o poderem ver. É uma empresa que aconselho. Tal como desejo que este conceito abra os braços e seja tomado pelo mundo, como merece.

Se um dia eu quiser mostrar a alguém o que se pode fazer da literatura na televisão e no cinema, digo Mar Babo. May I feel?

may i feel said he
(i'll squeal said she
just once said he)
it's fun said she

(may i touch said he
how much said she
a lot said he)
why not said she

(let's go said he
not too far said she
what's too far said he
where you are said she)

may i stay said he
(which way said she
like this said he
if you kiss said she

may i move said he
is it love said she)
if you're willing said he
(but you're killing said she

but it's life said he
but your wife said she
now said he)
ow said she

(tiptop said he
don't stop said she
oh no said he)
go slow said she

(cccome? said he
ummm said she)
you're divine! said he
(you are Mine said she)

Fade out.

PG-M 2014

2014-08-29

Dia 29


Ontem foi um beijo 
brusco 
vinhas em branco 
rua após rua 
e numa esquina 
eu 

na esquina em que levas sempre  
o peito atado 
no próprio abraço 
e vais sem pele 

o nylon cauteriza 
a alma, 
pensas 

a solidão na garganta 

o nylon cauteriza 
a alma, 
dizes 

a multidão na garganta 

queres morrer 
nos dias pares 
e eu ali 
o beijo 
os Donna Karen 

po-la-ri-za-dos 

no chão 
o riso 
tu a bateres-me 
de raiva 

o dia 29 será leve 
tudo em nós será leve, banal, 

e contudo a poesia, Eurídice, 
está muito aquém 
disto  

e contudo os poetas, Eurídice, 
estão muito aquém 
disto 

mesmo os poetas da Cúria 
que usam lâminas celtas  
para a desmancha das 
palavras, e comem 

Herberto 

ao pequeno-almoço 

PG-M 2014
fonte da foto

2014-08-28

Dia 28



Ao vigésimo oitavo dia do mês
serás amada como no décimo
nas horas de vazio
nos buracos negros

nos momentos em que o olhar
te desliga

enquanto caminhas no passeio
e fazes checklists

em branco,
serás amada em branco

ao inclinares o corpo
para a próxima rua

subitamente eu estarei
dentro da tua boca

PG-M 2014
fonte da foto

2014-08-26

O tempo


cada minuto teu tem pelo menos
um segundo meu
e as tuas horas minutos

meus


e os dias,
os dias que levas até ao fim,
horas minhas,
e os meses,
os meses que sulcas por dois rios,
dias meus,
e os anos,
e a vida,
têm pelo menos

um ano inteiro meu

mas depois é o beijo
ou a queda
de um abraço

e nós e o tempo
todo

PG-M 2014
fonte da foto

As mulheres onde bate o mar


Ela anda cheia de dúvidas, de insegurança na alma e de fragilidade no corpo. É ainda relativamente nova, é ainda das que se esquece que é falível grande parte do ano, é raramente apanhada pela doença, mas aconteceu este inverno. Muita tosse, febre, foi à cama duas vezes, e ainda assim teve de se levantar de manhã para dar o pequeno-almoço às crianças. Nesses dias, depois de os miúdos partirem para escola, ao sentir-se sozinha em casa e, em vez de livre, agrilhoada, débil, fraca, temeu não chegar a ser toda a mãe. Depois viu a agenda das semanas seguintes e temeu não ser toda a amiga, toda a profissional, temeu falhar tudo e todos. Amigas mais íntimas lembraram-lhe que estar doente era a coisa mais natural do mundo, que tinha era de arrepiar caminho e de voltar à vida, que tantas entre elas já tinham ido trabalhar com febre, mas ela punha as pernas fora da cama e era percorrida por uma dor que levava todas as sombras, quando ia fazer o pequeno-almoço ia curvada e apoiava-se em todos os cantos e móveis, quando voltava à cama estava exausta, um dos dias deu até por si desmaiada de bruços sobre o edredon. Ela anda cheia de dúvidas, de insegurança na alma e de fragilidade no corpo. Precisou que a vizinha, mulher dura e fria, que tem na cara as rugas do chão, disse o Torga, que nunca lhe dirigia a palavra, que nunca a tocava, que nunca a festejava, ao vê-la a arrastar-se no pátio para que a roupa dos miúdos ficasse seca para a escola, lhe pedisse, do muro de meação, que lhe abrisse a porta da frente, e, quase a empurrando para a cama, lhe fizesse um chá, lhe pendurasse a roupa no estendal, e lhe dissesse "a senhora, para ser rocha outra vez, tem de se resguardar da tormenta e deste mar de gente que a quer comer", e quando ela disse "mas", a vizinha interrompeu-a, "a senhora tem direito a deslargar o corpo, a senhora tem de ter tempo para molhar a sua almofada com as suas lágrimas, deixe, eu mudo-lhe a fronha, deixe, eu penduro-lhe a roupa, deixe, eu faço-lhe uma sopa branca, deixe, eu faço-lhe um arroz branco, deixe, eu faço-lhe uma cama branca, e durante três dias não se levanta que não seja para si,

a senhora"

Quando ela, cheia de dúvidas, quis alinhar umas frases para explicar à vizinha a gratidão, ela empurrou-a, "a senhora não me deve nada, nós as mulheres somos assim, penedos, escoras, penedos outra vez, a senhora vá-se mas é deitar,

a senhora"

Em três dias a mais nova voltou a ser penedo. Na primeira noite, a vizinha fria agarrou nas mãos dos meninos, quando chegaram da escola, e pediu-lhes para irem ver a mãezinha, para perguntarem se ela precisava de ajuda, e deu-lhes tarefas pequenas. O mais velho ainda se tentou queixar da vizinha ao pai, ele agarrou-lhe vigorosamente um maxilar, o miúdo calou-se.

Faziam quarenta anos de diferença. A mais velha era viúva. Quando chegou o momento, a mais nova pediu uma licença no trabalho - não faltava desde a doença - e paramentou o quarto da mais velha, mudou a temperatura das lâmpadas, a roupa da cama, as almofadas, e, quando ela viajava inconsciente, passava as costas dos dedos pelas bochechas da mulher fria que não deixava que ninguém lhe tocasse. Nos momentos lúcidos o olhar era rijo e húmido, tinha a fúria do mar que lhe batera toda a vida, mas um dia, na véspera da morte, a velha fria agarrou a mão morna da nova, fechou os olhos com força, beijou-lha e disse, com as bochechas molhadas, numa voz fina e baça, "a senhora saiba que, em toda a minha vida, estas são as primeiras lágrimas que choro fora dos olhos, a senhora"

A mais nova vedou o resto das palavras, selou-lhe os lábios, secou-lhe as primeira lágrimas para virem mais, e mais e mais, até as forças lhe acabarem e subir um sorriso.

Depois morreu.

Ela andava cheia de dúvidas, de insegurança na alma e de fragilidade no corpo. É ainda relativamente nova, era das que se esquecia de como era falível grande parte do ano, era raramente apanhada pela doença, mas já teve de faltar duas vezes nos últimos três anos. Ainda lhe bate o mar.

PG-M 2014
fonte da foto



2014-08-04

não temos fotografias

 isto não é um poema, são tremoços,
cerveja clara ou um copo de vinho branco, areia,
mar contido no horizonte que muda cada vez
que uma criança salta
ou rio em curva que apaga as tuas pálpebras por causa de uma luz
vesperal,
cola com gelo, meia torrada, corpos vestidos na
esplanada, despidos
à medida que a duna desce e a praia
avulta, vultos
a rasgar linhas de espuma, o céu a transitar

o céu a transitar

azul claro, azul escuro, vermelho, laranja,salmão, cinza claro, cinza escuro

preto

selfies no ocaso
vultos outra vez
bolas vermelhas
agora lua

lua é uma palavra que já não cabe nos poemas,
mas isto não é um poema,
são

selfies de manhã
água turquesa
bolas de berlim
com creme

que espalhas nas costas e no pescoço e na ponta do nariz
carências

faltam beijos de língua em público
faltam bancos
de jardim, faltam

- nas noites quentes de música -

olhos aquosos em vez de
vidro, faltam
felácios com lábios
em vez de litronas e charros
em todas as bocas

faltam beijos de língua em público,
lucidez demorada nas salivas
orações
em papilas gustativas,
areia no corpo e as palmas nas coxas
francas
guerras
de ventres lisos

isto não é um poema, isto é o pico da noite
moderna,
um colectivo alienado a deitar-se
nas camas dos pais
acorda tarde e começa tudo
de novo

antes de ser noite

cerveja clara ou um copo de vinho branco, areia,
mar contido no horizonte que muda cada vez que uma criança salta

isto não é um poema, apenas praia
e agosto afixado
nos murais

antes ninguém sabia
o verão só falava
no jantar
de fim de curso

lembras-te das dunas e nós
nos beijos de língua em
público, nus
na guerra dos ventres lisos,
que pena,
dirias,

não temos fotografias

PG-M 2014
fonte da foto



2014-08-03

carta-aberta-terra-ar (Volume III: notas para um suicídio regular)

(continuado de Volume II - Camila sobre o MH17)

Mãe, mato-me lentamente na caverna da Setsuko porque não mais suporto a vida como ela se me afigura. Há, pois, amor e pirilampos à porta do meu túmulo.

Como disse o Emerson, mãe, corta estas palavras e sangrarão, são vasculares e vivas.

Não salto de uma ponte, mato-me lentamente numa caverna - igual à de Platão, parecida com de Saramago e onde, de vez em quando, passa um camponês com livros.
Lembras-te de quando vimos juntos "O Túmulo dos Pirilampos" e como aquele deslumbramento da obra-prima absoluta nos toldou fisicamente?
A inefável sequência de analepse da caverna, os momentos de felicidade em solidão da pequena Setsuko quando o irmão a deixava sozinha para tentar arranjar comida e só trazia fome, a caixa de rebuçados e os pirilampos, os outros momentos - os insuportáveis - a que somos expostos pelo realizador recebendo os factos mais terriveis e vendo a própria cara da fome,

tocam a arte suprema.

Lembras-te da Amelita Galli-Cruci a cantar o "Home Sweet Home" enquanto regressávamos à última chama, depois de tudo estar morto,
mãe?

Vai para lá do pensamento, faculta-nos o sofrimento físico, a superfície, a pele, o buraco da fome, a brutalidade do real -  e tudo desenhado à mão para o criador. Primeiro escrito sofregamente, entre lágrimas - porque, já sabíamos, a história está na pele de quem a escreveu -, depois desenhado meticulosamente por outros, na escuridão do ateliê Ghibli. Ele concebeu e comandou e chama-se Isao Takahata e é, de algum modo, irmão do mestre Myazaki.
Isao aprofundou.

O aprofundamento da razão dá altura à alma

(chega-se ao sublime, ao alto, ao pico, descendo de forma consistente às profundezas do pensamento)


Roger Ebert disse que o Túmulo dos Pirilampos é um dos melhores e mais poderosos filmes de guerra de todos os tempos: não tem artifício. Caracteriza regressivamente a condição humana e a guerra, do fim para o princípio, da perda absoluta - toda a perda - à essência: é, por tudo isso, isso tudo. E é como me mostro para ti aqui: tudo.

Quando te disse que não suporto mais a vida como ela se me afigura, quis dizer: como ela se me afigura depois de a ver morrer. Não a Setsuko, mãe, mas o meu amor. Apesar de a Setsuko nos fazer morrer e de o meu amor não estar fisicamente morto, é sem ela, a mulher que amo, que não consigo viver. Como vês, a explicação do suicídio é simples, clássica, finalmente frívola.

Tenho quinze anos e já não há cidade que valha a pena vistar com ela, todos os quartos de hotel serão ainda mais iguais, talvez apenas o efeito do vento nas cortinas mude, nem isso, porque eu só a veria a ela, só a ouviria a ela, só falaria para lhe ver os olhos a escutar-me a voz, como a Mireille do Cortázar à sua Lamia, lembras-te?. E então o mundo, na ronda parda do amor que exclui tudo menos o objecto dele, seria sempre o pretexto - e o objecto o texto. Verona é um pretexto, Paris é um pretexto. Ela o texto que eu desenho com sangue nos dedos. Terá ela reparado nas sombras entre os meus sorrisos? Das ruas nos abraços? Das cidades nos beijos?

O que importa é o que ela disse: que me ama, mas não entende o amor que me tem.

Por isso me tornei insuportável.

Bem vês, mãe, o amor é do mundo, está no mundo, não é apenas do homem nem está apenas no homem.
O verdadeiro amor, o amor absoluto, é sobre-humano e rebenta com os corpos onde reside.

Ou aspiramos a uma finitude, ou a temperamos com pedaços de existência palpável e frívola, ou implodimos.

Deixa-me, pois, mãe, morrer e enfim sossegar.

Unamuno disse que a religião espanhola é o Quixotismo. A minha também, tu sabes, mas falta-me loucura para ser verdadeiramente feliz, incompleto.

O poema de Quixote foi a Dulcineia - capaz que era dessa imperfeição.
Já eu, mãe, sempre fui cego para Dulcineias.

Porque olho através.
Porque não contenho a impureza do absoluto.
Porque Cervantes, que soube descer e negar toda a influência literária, veio a influenciar o próprio século e os que lhe sucederam. Cervantes nunca ouviu falar de Shakespeare, mas Shakespeare conheceu bem - e temeu - o Quixote, que Bloom irmanou com Sir Falstaff. A temível realidade das veias que correm nos braços da ficção seria a pergunta que Bloom faria, se pudesse, ao próprio Skakespeare: "Como é que consegue que as suas personagens sejam mais reais do que as pessoas com quem nos cruzamos diariamente?"

E apesar de o Cortázar o dizer, que nos romances se esquece indo beber para as confeitarias, eu nunca esqueço nada e viciei-me na insuportável ameaça da lucidez. Os jeitos de Rolando ofenderam-me de forma duradoura*.


E Erasmo, mãe, advogou que o sublime é a loucura que emana directamente de nós: não lhe chegarei, pois. Nunca. Nem com Erasmo, nem com Longino, nem comigo, nem com ninguém. Não chegarei lá, ao lugar onde, para Bloom, virtude e esgotamento são sinónimos: a velhice.

E, se não emano, imano.
Morrerei na irrisão de mim próprio, portanto, finalmente pleno.

Ao camponês que me vem visitar e me traz livros, nunca comida, já instruí que te entregasse esta à morte, que espero te encontre bem, mãe.
Se a vieres a ler, quer dizer que, finalmente, me extingui.
Não permitirei que Aurora Bernárdez me seleccione os textos para publicação póstuma. Quero que sejas tu.

Não chores, mãe, que a beleza é negra.
Cada vez mais negra.
E todas as caixas de música, apesar de sublimes,

dão medo.

Teu filho.


PG-M 2014
Nota: Este volume encerra a "carta-aberta-terra-ar". Volume I (Avigdor, sobre Gaza) aqui. Volume II (Camila, sobre o voo MH17), aqui.
fonte da foto

* do conto "Os Gatos", de Cortázar, publicado nos "Papés Inesperados", edição Cavalo de Ferro