2004-05-31

Veronica Guerrin

Foi para mim uma surpresa descobrir que o Joel Schumacher tinha feito um filme sobre o exemplar e trágico caso da jornalista irlandesa Veronica Guerrin, ainda por cima protagonizado por uma das actrizes do meu “Top Five” (liderado há muito, como é do "conhecimento público", pela agora actriz da moda, Charlize Theron), a belíssima e excelentíssima Cathe Blanchett (que se lê “blanchê”....confesso que eu próprio li “blánquet” até há muito pouco tempo).

Quando o caso encheu os jornais de todo o mundo, em 1996, acompanhei-o o mais de perto que pude, fiquei vermelho de raiva, indignado. Todos os dias durante uma longa semana, afinal tão curta e insgnificante para a eternidade de Veronica.

Não sei se o filme chegou a estrear nas salas de cinema, mas eu é que não dei por ele.

O que sei é que, principalmente para quem esteja “enjoado” do problema “droga”, o exemplo desta mulher, um exemplo de corpo inteiro, aliás, é fundamental para uma renovada reflexão.

E para afinar o nosso sistema de valores.

Só vos peço, afinal, que não deixem que uma vida tão preciosa, e o legado de um ícone para os jornalistas de todo o mundo, um ícone erguido, afinal, sobre o seu sangue e sobre as lágrimas do seu marido e do seu filho, se perca assim, em vão.

Ou seja, marquem na agenda, aluguem o filme, conheçam a história.
Vale a pena.

Pedro Guilherme-Moreira, 2004-05-30



2004-05-30

OS CAMPEÕES DA ALMA QUE SANGRA PERENE

Por vezes, e é uma pena, calamo-nos e deixamos de partilhar uns com os outros o que nos parece evidente.

Por exemplo, parece-me evidente que todos já viram o filme “Furacão”, protagonizado por Denzel Washington. E, antes que prossiga, façam-me um favor: se ainda não viram, vejam o quanto antes.

Eu, por exemplo, não me canso de ver este filme, simplesmente porque o faço, de ponta a ponta, de dentes cerrados, secretamente dilacerado, talvez abismado, ainda abismado, com a injustiça em carne viva que me é exibida (trata-se da história da vida do famoso pugilista americano Rubin “Hurricane” Carter). Pelo meio, muita ternura, muita força.
Mas o melhor de tudo é quando acaba: é irreprimível a indignação, e renovada a vontade de mudar o mundo, uma pulsão que, realmente, urge renovar quando os quarenta anos se aproximam, para que não se confirme a moderna máxima: “aos 20 queres mudar o mundo, aos 30 queres uns sofás novos...”
Pulsão essa que é, aliás, a chave do filme, talvez a chave da vida de Rubin Carter.
Daí não ter dúvidas em afirmar que quem não viu este filme, quem não tomou contacto com esta fantástica história, permanece mais pobre.

Aliás, o filme, que neste momento (1:00h da manhã de Domingo) está a passar na Sic, põe-nos em perspectiva as banalidades a que tendemos a dar demasiada importância nas horas mais leves das nossas vidas
(e, como advogado, é tocante ver como, sem a ajuda de um miúdo de 16 anos, disléxico, cujo primeiro livro que consegue ler na vida é o livro que Rubin escreve na prisão, o desfecho talvez tivesse sido o mesmo de sempre...miúdo esse que, afinal, viria a ser advogado:).

Não falo, claro, na retumbante vitória do FC Porto na Liga dos Campeões, vitória que eu, como portista e português, continuo e continuarei a curtir na sua modalidade estética: as imagens, as cores (os braços e a cara de Deco após o segundo golo; a cara da princesa Stepahnie, no meio de um mar vermelho e branco; os beijos na Taça; os “festejos” do Mourinho; o dragão alado de Miragaia). Não. Não falo, nem podia falar, já que muitos destes sucessos servem para amenizar o sofrimento de pessoas que sofrem ou sofreram tanto ou mais que Rubin Carter (é difícil, mas, infelizmente, também as há...e vivas);

Também não falo da nova problemática da toxicodependência dos animais, que afinal serve para por em perspectiva a própria toxicodependência do Homem. Não estou a brincar, não! Vi-a outro dia abordada num qualquer programa televisivo, fantástico aliás: há vários animais que se drogam e embebedam por prazer, dos lémures às abelhas, dos macacos às renas. O programa conclui, aliás, que a nossa apetência toxicológica é genética e natural. Aliás, foi estudada uma espécie de macacos que assaltava uns bares de praia nas Caraíbas, e concluiu-se que havia, entre eles, a mesma percentagens de abstinentes, bebedores moderados e bebedores radiciais que nos humanos. Quem diria...

(Lá está o Carter na solitária da prisão, porque se recusou a vestir o uniforme da prisão: “Não cometi crime algum. Um crime foi cometido contra mim!”)

Falo, mais especificamente, das pequenas porcarias que nos trazem permanentemente em tensão uns com os outros, falo de certo tipo de gentinha que temos de aturar todos os dias (género “Carlos Sampaio”, aquele triste indivíduo que um dia destes participou no “Fear Factor”, e já havia participado num “BB Famosos), falo dos problemas diários que muitos de nós não sabemos perspectivar e alinhar na devida prioridade.

Ver histórias como a de Rubin Carter faz sangrar a alma, é verdade, mas é fundamental para saber ao que andamos, afinal.
Algo de que, às vezes, nos esquecemos, tão depressa nos deixamos anestesiar pela maior banalidade!

Esta semana, tomei contacto com a história dos campos de “formatação mental” do Zimbabué. Impressionante. Pois o Sr. Mugabe, que diz não se importar que lhe chamem Hitler, diz que é tudo mentira. É mentira que façam lavagem mental aos “prisioneiros” (são campos de “educação”), é mentira que, como parte do treino, os façam espancar, às vezes matar, membros da própria família, é mentira que os façam torturar todos os membros da oposição que possam encontrar. A Credibilidade do Sr.Mugabe fica expressa nesta frase lapidar, talvez uma máxima teórico-filosófica, que lhe apanhei:
“Pensem todos da mesma maneira, sintam todos da mesma maneira, façam todos da mesma maneira...”

Dei por mim a pensar que é uma obrigação de qualquer ser humano ler os relatórios detalhados da Aministia Internacional.

Talvez um dia consiga.

Hoje, com o Hurricane e os campos do Sr.Mugabe, não o conseguiria suportar.

No dia em que tiver a veleidade de pensar que sou um rapaz com pouca sorte, ou vejo outra vez o Hurricane, ou leio os relatórios.

Alerta. Sempre alerta.
Para sempre alerta.


Pedro Guilherme-Moreira, 2004-05-30

2004-05-18

O Ignorância mudou

Pois mudou. Está diferente. Como mascote, faz todas as habilidades dos dois irmãos juntos (a extinta Ignorância Livre e a também extinta seleccionada), e mais algumas. Voltou a ter fotos. Admite comentários a cada texto lá colocado.Até admite posts audio, mas isso é outra conversa. Era só para dar a notícia. Sigamos adiante. PG-M

O mais belo miradouro


O mais belo miradouro para a Ponte da Arrábida e para a Foz do Porto.Dos jardins do Palácio.Na mesma Quarta em que parei, e por parar vi;PG-M Posted by Hello

Gaia Emoldurada


Gaia Emoldurada.Olham pouco para lá, olham muito para cá.Gaia também é bonita.Veja-se a torre do Monte da Virgem, o Douro, as Caves, o Mosteiro da Serra do Pilar;Numa Quarta em que parei, e por parar vi;PG-M Posted by Hello

VERBO JOEL

Em Coimbra, os livros dos mestres transpiravam das sebentas que o Joel construia com aquela fúria de saber e querer saber, e querer dar a saber.

A minha memória repousa sempre nos dias transcritos e lidos, longos dias desfolhados sobre a cama do quarto dos Olivais, ou sobre a mesa da pastelaria, ou encostado à janela do quarto andar do céu, já na baixa, no último ano.

Dias em que sobre tudo espalhava as folhas do Joel.

E trazia sempre entalados na pasta académica os pedaços das sebentas do Joel.

Mesmo quando ganhei juízo, e ninguém me via lá por cima, porque queria acabar o curso, escondia-me no primeiro-meio-andar do Internacional (que assassinaram, juntamente com o Mandarim, e com eles tantas memórias açucaradas desses anos) com as sebentas do Joel.

O Joel era um nome quase vago, uma espécie de imagem esbatida do colega real, e esbatida porque quase supra-terrena.

Todos guardavam o Joel na palma da mão, e sentiam no coração um agradecimento pouco contido a um hiper-homem.

E nós nem sempre os percebemos bem.

Imaginávamos essa entidade descolada do chão, produzindo e reproduzindo todo um curso de direito em páginas infinitas.

Mas o Joel não parou, e fez-se Verbo.

Jurídico.

Ponto Net.

E não pararará nunca. Por todos.

E nós já temos a obrigação de não parar, por ele.


Pedro Guilherme-Moreira

PS: Por causa dos sete anos do exemplar www.verbojuridico.net , mas, principalmente, por causa do Joel;