2017-06-14

Saramaguíada

 
 Aqui estou, sem cara - porque não é sobre mim, nunca foi, nunca será -, vestindo a camisola que vou suar literariamente no próximo ano (e na próxima vida), ladeado pelas capas dos meus meninos da Dom Quixote (capas do Rui Garrido) e com o novo livro, este vosso "Saramaguíada", a emergir da parede, porque foi um pouco assim que Saramago e Pilar começaram a ser amados (em todos os sentidos, e eu não excluo aqui os que desconfiam do mito - sim, do mito), em grafittis nas paredes de Lisboa - o arranjo gráfico deste teaser é do jovem génio Tomás Lucas, que merece toda a ventura (é separado, é).
E no grande Esse, que é obra do outro génio que estará ao meu lado nesta aventura (aqui é junto), o ilustrador Vasco Gargalo, estão, entre muitos outros, porque esse grande Esse serpenteia por todo o livro (salvo seja), como numa barca infinita, os nossos "grandes", alguns dos quais podem ver logo na capa, como Saramago, Pilar, Charles Robert Anon (o jovem Pessoa), o nosso labrador preto Shadow, Eça de Queirós, Maria Amália Vaz de Carvalho, Dom Quixote, Padre António Vieira, Alexandre O'Neill, Virigina Woolf e marido, Leonard, Voltaire, Salvador Dali, Confúcio, Gogol, Leni Riefenstahl, Robert Johnson (pai do blues do Delta), a própria Paris, para onde todo o livro se dirige, etc, etc.

Hoje, 14 de Junho, é Diassaramago. Faz 31 anos que Saramago e Pilar se encontraram fisicamente pela primeira vez, no Hotel Mundial. Um dia importante. Por ser um dia importante e estar dentro do livro, foi este o dia escolhido para dar a notícia de um novo livro, que não é apenas sobre Saramago e Pilar. Parte deles para toda a literatura. É importante (foi importante) que Saramago seja também personagem, objecto, mito, Quixote. O livro tem como título "Saramaguíada" e subtítulo "A invenção de Pilar".


Uma mensagem clara: sendo eu do norte, mais concretamente nado na freguesia da Sé, no Porto, criado nas Antas, tenho entre os lábios carnudos (este adjectivo ridículo já é um oferenda aos deuses menores) uma quantidade imensa de calão enérgico destinada à perfídia e aos que, não sendo em si pérfidos, a exercem regular e frivolamente. Sendo do norte, soy determinado pelo essencial, não pelo acessório. O meio literário é feito de gente muito boa e, já o disse no post anterior (sobre Bukowski), esses porreiraços, às vezes, são amarrados em grupo como vitelos num Rodeo e, mesmo assim, pensam que são os cowboys, não os vitelos. Vou ter o cuidado de, quando os vir comportarem-se como vitelos, os enlaçar e dominar com o meu calão nortenho, para que ganhem foco, se libertem e sejam mesmo cowboys. Ou índios. E, ainda que falte paciência para os extremos, desde as grandes máquinas de vender livros (que em si não têm mal nenhum, o problema é quando lhes falta temperatura), aos independentezinhos virtuosos com complexo de superioridade, este livro e eu estamos aqui para lutar pela substância e pela simplicidade e até pelo resgate de alguma erudição - não a que se esfrega na cara do interlocutor (essa, na prática, não é erudição), mas a que se ganha com silêncio, observação e humildade.

O resto passará sempre ao lado.
Agora, com vossa licença, comece a aventura. E a ventura. Agradeço-vos desde já todo o apoio de remos, quilha, suporte, abraço, tudo. Que é fundamental.
O livro sai no Verão de 2017. Exactamente quando, fica para outro teaser, daqui a umas semanas. Que até já pode ser o press-release (este, decididamente, não é; este sou eu, os leitores, os pares, os artistas e os editores). Vai ser um volume com qualidade e era mister (leia-se mistér, e não míster), para mim, que fosse profusamente ilustrado, porque há aqui uma nova iconografia que tem de ser interpretada por um  ilustrador da classe do Vasco Gargalo. 
Obrigado.

PG-M 2017
arranjo gráfico de Tomás Lucas
ilustrações centrais de Vasco Gargalo

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