2016-08-01

Está a morrer, mas "Vais tu marcar, tu marcas bem (....)"

A força. A garra. Aquela acidez - não o cinismo, esse é sulfúrico -, aquela lucidez não pacífica - a que nos leva à guerra e nos faz vibrar. Perdi-me desta música, "Old England", dos Waterboys, como me perco de pessoas que me fazem falta. Justifcamos sempre com a vida e com o comodismo, com um certo pudor, um certo tento, que isto do amor está gasto e tornou-se perigoso. Perdi-me desta música e quando a voltei a ouvir fiquei outra vez furioso, não furioso como a rocha cinzenta que ocupa a repartição de finanças para sempre, mas furioso como o mar que bate todos os dias nas escarpas há milénios e pacientemente nos moldou o tereno. É vibrante constatar que algo está a morrer quando nos sentamos para a transfusão. Como esse grande português disse, "vais tu marcar, tu marcas bem, se perdermos que se foda".

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