2016-05-16

O segundo alpendre

 Ao olhar os outros através do fumo da noite
estimo os que não olham para cá e temo
os que reparam na mancha do meu corpo curvado sobre o cigarro a tomar sentido de amanhã

deixem-me em paz, direi
deixa-me em paz, dirão
Vai um cigarro?

Não me levanto no alpendre. Não sorrio.
Inclino a cabeça atrás de outra baforada. A vénia.

E a semana entra de laço
com estranhos



PG-M 2016
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