2016-02-04

Luísa-chão, Matilde-em-absoluta-pureza, Inês-sobre-beleza, Mariana-doce,Teresa-em-rendição e tudo o mais

Luísa-chão, Matilde-em-absoluta-pureza, Inês-sobre-beleza, Mariana-doce, Teresa-em-rendição e tudo o mais. Hoje até no intermúndio há sol. A sessão-supresa do Colégio da Bonança foi na biblioteca e a biblioteca estava cheia de sol. A rua para chegar ao Colégio estava cheia de sol. O pátio do Colégio estava cheio de sol. Os corredores do colégio estavam cheios de sol.

Lembram-se da Matilde? Do doloroso sorriso de Matilde? Já lá vou, já lá vou. A  Matilde há-de ser um amor para toda a vida, por isso já lá vou. Hoje tinha de ver, pelo menos, a Luísa-chão-professora, a Inês-sobre-beleza e a Matilde-em-absoluta-pureza. A Irmã que estava temporariamente na portaria franqueou-me as portas todas, e o pai da Inês, no bar, orientou-me a subida, e uma professora, na sala dos professores, consultou o horário e levou-me onde, nem de propósito, estavam a Luísa e a Matilde. Muito perto do firmamento. A sério.
Primeiro a Luísa, a professora, que impressiona como chão. É uma rocha, precisa de mimo, muito mimo, porque a vida é dura, e ainda assim vem, vem todos os dias para exponenciar o brilho destes meninos maravilhosos. Ó Luísa-que-és-chão, deixa que a desventura te apure a ventura e que essas noites infindas e negras nunca te velem as mãos que dão colo. E que outras mãos te dêem colo a ti. É tão bonita a humildade na Luísa. Tão bonita que nos silencia. Abusem nos abraços à Luísa, por favor. Abusem, meninos. 

Quanto a ti, Matilde, que tudo na vida se interrompa sempre que os nosso abraços acontecerem. Tudo. Ao abraçar-te, Matilde, param as dores todas, as do passado, as do presente, até as do futuro. Não posso usar palavras ou definições rebuscadas para ti. És apenas maravilhosa. Maravilhosa. Absolutamente maravilhosa. Conhecer-te foi dos momentos mais importantes desta minha pobre vida. Reconhecer-te nunca é menos. Porque dás sempre muito mais do que te damos a ti, calo-me, por pudor. Matilde-em-absoluta-pureza.

Teresa Pintão, que comigo pesquisaste o haikai, o haikai que nunca mais aparecia, Teresa Pintão, ouve, estou furioso contigo. Já te disse, mas repito para o mundo: estou furioso contigo. Sabes como os criadores são distraídos. Talvez o único que se livra disso seja o Criador que se escreve com c grande, e mesmo esse - mesmo a esse - fartam-se de perguntar se está distraído. Eu sou. Sou muito distraído. Os tímidos que se escondem nas sombras acabam mesmo por conseguir que eu não os veja. Como tu. Sei bem que sou um homem, Teresa Pintão, e tu uma menina, que talvez as meninas não devessem falar com homens,Teresa Pintão, mas teres estado em todos os lados importantes onde eu vos quis, até no Clube Literário de Gaia com os teus colegas, e não te teres mostrado, deixa-me furioso, Teresa Pintão. Como eu te disse hoje, foi um ano perdido para mim. É um direito que te assiste, Teresa Pintão, mas estou furioso. Não te rias, Teresa Pintão, não te rias. Lê lá o haikai deste que te escreve. Alto, Teresa Pintão. Alto.

Luz do dia, Cotovia
Fundamento dos teus versos,
Doce rima dos teus berços.
Dessa espécie de poema, J (com haikai dentro):
Elas passam no passeio das Cardosas,
Poderosas,
Passam todas em vestidos sufocantes
Estão pedantes,
Estão na praia por esplanadas refulgentes
Diluentes

Menos J,
Que é mulher. (...)
Vá que te rendeste, Teresa. Vi bem, por fora e por dentro, que te rendeste. Agora fica. Stay. :)

E tu; Mariana Emina? E o teu magnífico texto com as cem palavras exactas a ligar sensações e dúvidas, tu a dialogar contigo própria dentro dos parágrafos, a questionares os instintos, esse texto que construíste à minha frente e eu peço licença para passar a limpo, e imortalizar, aqui:
"não sei se as
 rosas vão voar, ou se estou a confundir rosas com
 palavras, ou se as rosas são pássaros ou palavras ou
 flores, sei que esta caneta escreve o que a cabeça lhe disser, e a
 cabeça não tem limite, por isso rosas não são flores aqui, não são
 pássaros aqui...pff! pff! Mas palavras são. E a isso não posso fugir.
 Mesmo em silêncio. Mesmo a pensar. Palavras são. Mas então e a cabeça?
 Penso em silêncio, penso em rosas, penso em pássaros. Penso, e são tudo palavras.
 Serão as palavras o limite. Não sei, vou jogar futebol."

Doce, doce, doce Mariana Emina.

Estavam mais quatro meninos que estão na foto e aqui, mas sem nome. O Pedro, que já conheço, e a quem devo, o Eduardo, que não conheço mas ainda vou conhecer, a Diana e a Ana - que certamente me conhecerão. Hoje sem nome, porque nome é a parte de dentro, e a parte de dentro eu tento sempre contar: passam a chamar-se aquilo que são. E vieram muitos mais.  E virão muito mais. Hoje, no entanto, e acima de tudo, Luísa-chão, Matilde-em-absoluta-pureza, Inês-sobre-beleza, Mariana-doce,Teresa-em-rendição e tudo o mais. Hoje até no intermúndio há sol.
PG-M 2016




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