2015-12-04

poema galego

as tangerinas encerram
agarimo
as pessoas também
toma uma e descasca-a
os dedos e a palma
das mãos
eventualmente
as mangas da camisa
e o colo
serão contaminados
pelos primeiros sumos

cuidado com as nódoas
as nódoas são difíceis de sair

agora faz o mesmo à tangerina

ser pessoa-tangerina
é mais ou menos, deixa ver,
como ser professor-poeta,
se fores só professor, vais dizer
escrevam esta pergunta
se fores só poeta, vais pedir
escutem
mas em professor-poeta
vais usar o primeiro silêncio
e a textura
vais descascar os corpos com
agarimo
e ilusão
e assim contaminados
e os gomos da possibilidade
nas bocas
dizer então reparem, escutem,
e o brilho prévio dos olhos
eleva-se na sala
e o poema está feito
e a lição ensinada
antes do primeiro
verso

diz que a matéria branca das tangerinas
é ilusão e faz bem aos corpos
e o sumo que marca a pele
e os têxteis
é agarimo

não sei de boatos ou diz que diz
mas era o que calava a folha
branca que me deu este
poema galego



PG-M 2015
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