2015-10-05

O vídeo, João de Melo e outros viajantes do olimpo


Ovar, o FLO, o Festival Literário de Ovar, o primeiro, este de 2015, foi um momento singular em que me deixei estar naturalmente entre os grandes, mas quase não quero falar aqui de competências literárias, embora queira falar de memória e de presente. Gostava de falar da doçura e do respeito de senhores como Jaime Rocha, sublime poeta e marido da Hélia Correia, que eu idolatro e faço questão de idolatrar, entre outros, como o Miguel Real e o João de Melo, mas não só. Neste último caso, vi-me, nesse memorável jantar ovarense de escritores, noite alta, a ouvir a lucidez do João de Melo sobre a memória. Eu e ele, num troço da longa mesa e já na fase das migalhas, mas para mim no prato principal. Depois disso, sei que pediu os meus livros e os leu. Tive a honra de ouvir/ ler dele palavras que levarei para a sepultura (talvez até as grave na pedra tumular). Depois houve o dia em que ele me mencionou por escrito e publicamente, e isso para mim não passa. Tive esse dia cheio de comoção e "louvo-me" por ter podido conhecer e ser alvo das palavras do grande João de Melo, que se "louvou", e passo a citar, "por ter descoberto em Pedro Guilherme-Moreira o autor fulgurante de "A Manhã do Mundo" (sobre o quotidiano nova-iorquino dos mortos que nos saudaram no 11 de Setembro de 2001) e de "Livro sem Ninguém"; e esta menção vale quantos prémios vocês quiserem. Não o partilho porque me ache nada de especial. Partilho pela raridade e pela beleza do acto num dos grandes. Este homem, este meu ídolo, foi, por exemplo, o editor de Memória de Elefante e de Os cus de Judas, de um tal de Lobo Antunes, e também do Mário de Carvalho, entre outros. O que me comove é ter passado no crivo de quem já viu muito. E é tão bom que tenha voltado e continue a ver. (junto um printscreen parcial, porque a partilha não ficava visível para todos). Abaixo podem também ver o vídeo que substitui a minha intervenção principal em Ovar e que nos deixou a todos plenos, porque todos, quase todos, acreditam que a literatura (também) é isto:
PG-M 2015

2 comentários:

Luiz Santos-Roza disse...

Um autor português a louvar outros autores portugueses!, a reconhecer a existência de outros escritores portugueses! Isso é prodigioso o suficiente para merecer uma celebração.

Pedro Guilherme-Moreira disse...

Verdade, Luiz. Bem verdade.