2015-08-27

o fim de agosto

não sou uma mulher, sou
a própria ilha e o sobremar fúcsia e tenho este ódio a agosto líquido na minha boca
sabe a sangue
sabe ao desespero e ao alívio
pelo fim; já disse
(já repeti)
que uma colagem de frases não é um poema
escrevo-as assim porque a raiva vem em golfadas
à preia-mar
e a minha pele é o fundo seco de um oceano ausente
mais um cigarro e o meu cão
e um dândi inglês a circular entre as formações mortas
de coral
chamámos ahab à baleia branca
deitada de lado no vale
tem no corpo o nosso amor
que é um galeão pirata
enquanto turistas equidecomponíveis cuidadosamente ajustam
o laço na minha laringe, Hepburn
evolui na tela exterior do parque de estacionamento
as famílias comem batatas fritas e esfregam factor cinquenta
antes que acabe chove
chove muito e a praia fica
livre
Hepburn brilha no topo
dos petroleiros
the lion in the winter e as luvas 
em pelica incandescente
e agosto vai consumar-se
em old saybrook

Eleanor: And when you die, which is regrettable but necessary, what will happen to frail Alais and her pruny prince? You can't think Richard's going to wait for your grotesque to grow.
Henry II: You wouldn't let him do a thing like that.
Eleanor: Let him? I'd push him through the nursery door.
Henry II: You're not that cruel.
Eleanor: Don't fret. We'll wait until you're dead to do it.
Henry II: Eleanor, what do you want?
Eleanor: Just what you want, a king for a son. You can make more, I can't. You think I want to disappear? One son is all I've got, and you can blot him out and call me cruel? For these ten years you've lived with everything I've lost, and loved another woman through it all, and I am cruel? I could peel you like a pear and God himself would call it justice


e então agosto acaba

 PG-M 2015
(ou 29 de Junho de 2003) 
fonte da foto


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