2015-05-01

O adeus do mestre, mesmo que não seja


As asas do vento, do mestre Myazaki, que ele próprio anuncia como a sua última obra, não é bem um filme, ou não é apenas um filme, é um momento. Realmente vê-se o mestre a dizer adeus a toda a hora, em cada traço, na música que escolheu, pelo génio de Hisaishi, na forma como os próprios sons das máquinas são humanos (não é a primeira vez, mas é a mais intensa). Também não é o melhor filme dele, porque não é um filme, é um comovente e longo adeus. Até acho que ele vai fazer mais, mas já será o começo de outra coisa qualquer. Podiam é ter demorado menos de dois anos a estrear. É impossível não ficar comovido com esta inscrição do adeus na pele. Ao menos a alegria de o irmão de armas, Isao Takahata, o tal autor do melhor filme de sempre (mesmo entre os não animados: O Túmulo dos Pirilampos), ter um novo poema à porta dos nossos cinemas: depois da Mononoke, a princesa Kaguya.

PG-M 2015

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