2015-02-07

Duas da tarde


às duas da tarde as ruas
vazam do que as encheu
e tomam
o traje do dia

já não há
indolência ou letargia
indestreza ou lástima

a desventura nomeia a noite
e parte

o bailarino está tenso e apresta-se
a voar
na primeira posição
tem lume e água
na carne

sissone e o universo
sem peso

está sol
em pontas
a tarde monta e já são
três menos

tal
os pobres deixam o coro da fome e regressam
ao altar


PG-M 2015
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