2014-12-31

Colorblind Christmas


não me acho acima ninguém nem censuro ninguém, bem pelo contrário. mas deixei de enviar mensagens natalícias - até fazia os meus próprios postais, lerdo. envio-as todo o ano. quem nunca as recebeu, pode apresentar reclamação aqui :). oferecerei uma linda, linda, para compensar. gosto de mensagens públicas bem alinhadas, mas não respondo nem valorizo nenhuma  privada que não me seja dirigida apenas a mim: não acho que faça bem, e peço desculpa por isso, desde já. gosto do natal. adoro o natal. por várias razões, mais minhas que vossas. por isso, não vou falar sobre elas: eu, se repararam, sou um prostituo literário, trabalho a partir do corpo dos outros diluindo ou dando o meu. mesmo para falar de mim, instrumentalizo outras carcaças. por isso desculpem. gosto tanto das pessoas. tanto. gosto tanto que ajo, as mais das vezes, de forma absolutamente diaparatada. com bondade, por exemplo: não há coisa mais a despropósito. também sou especialmente ácido para os ácidos, excepto no natal, em que lhes dou beijos na boca sem que eles contem. i am colorbind (esta é dos counting crows, lembram-se?). Taffy stuck, tongue tied/ Stuttered shook and uptight/
Pull me out from inside/ I am ready/ I am ready. gosto frequentemente de pessoas com lados medíocres muito grossos, principalmente se têm um ou outro detalhe genial e o mundo lhes deve agradecer isso. chego a gostar dos meus inimigos, a preocupar-me com eles: mais menino jesus é impossível. a sério. obviamente não vou criticar os palhacitos e as palhacitas afectados que estão acima do próximo ("não posso responder a todas as mensagens") e nesta altura escolhem encher os murais de odes sobre o movimento frívolo do mundo. so what? o mundo é sempre frívolo até sermos agarrados pelos cueiros. seremos fundamento se por nós chamarem. eu gosto do frívolo, porque é o que mais se espanta quando sente a nossa língua dentro da boca. nossa, dos sanguíneos, dos arrebatados que, ainda assim, aprendem o curso da frieza e disfarçam as palpitações para sobreviverem. decidi usar o resto da vida para fretar menos. doravante entrego em mão. raramento as tenhos frias, às mãos, raramente os tenho finos, aos lábios, raramente a tenho pequena, à língua. bom natal, boas entradas e grande projectos novos, do nada, de raiz, porque é assim mesmo o mundo. é feito de beijos na boca por dar. embrulhem (porque cada vez menos lojas o fazem).

PG-M 2014
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