2014-11-23

Interstellar (cinema deste lado e do outro lado)


Deste lado:
Interstellar é mais do que um filme. É uma forma de estar e de pensar. É um movimento. A melhor valsa desde Kubrick. Não preciso de distância para o ter como culto. O argumento, o tal que os desmancha-prazeres começam logo a desmontar porque não têm pele e usam sangue de réptil, é pouco relevante quando se filma com esta grandeza. Talvez o melhor sexo que possas ter dependa menos da coreografia do que das vísceras, da pele, do cheiro. E Interstellar é isto: vísceras, pele, cheiro e som dos limites da condição humana. Maravilhoso. Inesquecível.

Do outro lado:
Descobrimos o cinema português de massas, pronto, os best-sellers. Espero que estes filmes financiem os outros, os que nos fazem sair diferentes do cinema, tal como os livros de massas financiam os outros (obrigado, já agora). Também era bom que isto gerasse a necessidade de bons e criteriosos cinemas, tal como existem bons e criteriosos livreiros, e possam conviver, em vez de se levarem mutuamente à falência. E que cada um respeite o seu espaço, sem pretender que o próprio é que é a sério e o outro não existe. E, finalmente, que aprendam uns com os outros, sem pedantismo, para que as massas cheguem aos bons, e os bons às massas, e que os menos bons fiquem melhores e os excelentes bons de ler e de ver. 


PG-M 2014

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