2014-09-26

Dia 26



O vigésimo sexto é o amor,
mas o amor, oh, o amor, de momento,
é o universo infalível da matéria e da constância e do tempo e da
temperatura

do pensamento



lembras-te da imagem no espelho
os meus lábios cheios
o meu corpo nu?


lembras-te como a vias
nos olhos dos outros?


agora

leva por favor os reflexos

não me empurres
para os vidros
dos carros


"já olhaste bem para ti?"


nem me mimes
com o peso dos anos
e das rugas e das
molas e do tachos
e das camas
que serviam


e das pernas que

e das coxas que

te serviam


"é o que vales aqui dentro que me importa"
dizias
o punho fechado sobre
o coração
tum-tum,
tum -tum,
e eu
a ouvir as sombras
tum-tum,
tum-tum,
do futuro


e agora
lembras-te da menina sem corpo
e da mulher 
só por dentro?


oh, o amor, de momento,
são delírios que começam
lá fora.
não aqui.

não agora.

sai de dentro
dos lugares
onde eu

restar

sai de dentro
dos lugares
onde eu
estiver

vaga o tempo que ainda finges
na cidade

eu sou a mulher
eu sou a verdade



PG-M 2014
fonte da foto

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