2014-09-20

Dia 20



Ao vigésimo dia amo-te nua
como no décimo
segundo,
mas desta vez
em silêncio
estás imune ao meu corpo
não aos meus
poemas
gemo-te as didascálias

(o não de Eurídice é contido, sumindo-se
como um sim)

não? não? não?
e ao meu lado à meia-luz
hesitas, e eu
gemo outra vez
as disdascálias
desta forma subtil e doce que te leva
pelas paredes
do firmamento

(o não de Eurídice é contido, sumindo-se
como um sim) 


os lábios redondos
os olhos cerrados
ris-te outra vez
ah ah ah ah ah ah ah
e as línguas destes
poemas

em fogo
Oh, Orfeu.
Oh, Eurídice.
Cala-te, dizes

 tu.

 

PG-M 2014
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