2014-09-02

Dia 2



do segundo dia 
não há regresso

estás sentada na cadeira basculante
incandescente
os dedos a disparar
todas as manhãs a luz branca do ecrã te adormece
te dilui
te devora

vais à janela fumar
caneta

é uma janela com vista
o sofrimento não

do segundo dia
não há regresso
é o mês completo da incompletude
do pregresso

talvez venham tardes, pensas,
de descidas em suspenso pelas ruas da cidade, talvez voltem
beijos bruscos

o sol bate nas pálpebras
é quase noite

em ti

PG-M 2014
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