2014-09-13

Dia 13



ao décimo terceiro dia
toma a mão do Bragança
e desenha no periódico
a morte da perdiz

o Saraiva é jornalista
e o Rangel morreu
o Balsemão ainda
almoça
a Lourenço emite em modo 

gore


há uma lucidez média a todos
que por ser média arrasta
o povo
outra vez a metáfora do rio
que nestes poemas já foi
círculo e
infinito
que são sinónimos
mas no primeiro era
utopia
e no segundo
sangue

se não percebes nada
liga a tv
vê a Estela a ouvir
esse sangue nas
palavras à morte
do Pinto Coelho
tenta não vogar na luz da estupidez
que afinal é branca como a clareza

achas mesmo que os vídeos de degola
são outra coisa?
que o esquecimento dilui
o poder?

não, meu amor,
dirão que éramos amantes amáveis
como os gorilas no zoo
chorarão na nossa face
sob honrarias
e nem é o treze
a dar azar, só a
mediocridade
a dar o mundo

a lucidez média a esquecer-nos
ao Pinto Coelho,
a mim, a ti,
ao Bragança


e à perdiz



PG-M 2014
fonte da foto

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