2014-09-12

Dia 12



Ao décimo segundo dia amo-te nua
como no vigésimo,
como noutros, claro,
mas principalmente

como no vigésimo
do mês passado

nua mas não em silêncio
estás imune aos meus poemas
não ao meu corpo
gemes as didascálias

(o não de Eurídice é contido, sumindo-se
como um sim)

não? não? não?
e sobre ti à meia-luz
de glúteos tensos
hesito, e tu
gemes outra vez
as disdascálias
dessa forma afectada e doce que me leva
pelas paredes
do firmamento

(o não de Eurídice é contido, sumindo-se
como um sim)

os lábios redondos
os olhos cerrados
ris-te
ah ah ah ah ah ah ah
e as línguas destes
poemas

em fogo
Orfeu. Orfeu. Orfeu.



PG-M 2014
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