2014-01-07

Reciclagem humana


É oficial. Perdida a paciência, deixar-se de perguntar aos vizinhos se querem que lhes trate da comoção. Como já ficou dito no princípio do ano. Um gajo porreiro não tem de andar a bater às portas só para perguntar se está tudo bem e se é preciso ajuda na reciclagem. E é tão feio os gajos porrreiros dizerem uns aos outros que são porreiros - e alguma encenação cool, marcha, uma ironia fortezinha e tal, talvez até cinismo light? Algum bullying sobre os daquela marca é muito bem pensado. 2014 é o ano em que vamos ter de começar a separar o lixo - humano, bem entendido. No amarelo o plástico e o metal frio. Claro que plástico e metal seguem caminhos divergentes, porque não podem ser reciclados em conjunto. Para o azul vão, além de revistas, jornais e folhas de papel, especiais televisivos, embalagens de papel e cartão, incluindo as embalagens de bêbados incorrigíveis depois de escorridos e espalmados. Para o verde todos os cacos de gente, já sem tampas nem rolhas. Para o rosa as massas cerebrais informes e coloridas. Sabemos que vamos tirar emprego a alguns nobres e garbosos almeidas, decorrência natural da separação, mas o facto é que os únicos despedidos por inadaptação são sempre os parceiros bacocos e morcões iguais ou parecidos. Que conhecem a letra da cantiga. Então, agora sim, um ano em cheio. E se quiserem emagrecer mantendo o porte, perguntem-nos como.

PG-M 2014

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