2014-01-15

O meu pé de laranja lima

Relendo "O meu pé de laranja lima", envergonhado. O meu primeiro livro "a sério", não infantil nem juvenil, que eu levava pelos corredores do colégio para ter força e me sentir menos sozinho aos doze anos. O Zezé era o meu tronco e falava comigo. Tenho vergonha de não ter relido antes, porque está cá tudo, e até parece simples. Comove e faz rir a cada página. Eu não sabia chorar como crescido antes de o Mauro mo ter ensinado. Eu tinha um poema ao pai que era uma merda, dizia o pai. Mas queria concorrer com ele a um concurso literário que também era para crescidos. Não vou contar a história toda aqui, já, até porque a tenho guardada para depois do oceano. Sei que tive dificuldades, as lágrimas correram, eu pensava que ainda eram lágrimas de menino, mas o Mauro, o Zezé e, principalmente, o tio Edmundo, disseram que era direito fundamental, que qualquer homem choraria nessa circunstância. Quem ganhou aquele concurso literário de crescidos foram dois meninos ex-aequo: um de treze anos que se chamava Paulo Rangel, e um de doze que se chamava eu. Eu levava "O meu pé de laranja lima" na mão quando fui receber o prémio. O resto conto mais tarde.

PG-M 2014
fonte da foto

2 comentários:

Isabel Mouzinho disse...

Enternecedora e comovente a história! E o livro uma delícia, para ler em todas as idades :)

Pedro Guilherme-Moreira disse...

Obrigado, Issbel.