2014-01-23

Dominó

 somos os troncos cortados, as árvores doentes,
a treva do bairro, os vasos quebrados,
somos o húmus humano, a pedra-sabão,
a merda no piso, os corpos rasgados,

somos
os violentos sem causa,
as respostas sem porquê

joga o dominó de carne
traaaa-ta-ta-ta-ta

somos
os homens nus da prisão
a fúria para cá do vento
o momento

original
chegamos na mesma palha
partimos na mesma tábua
(há um que se vê,
 outro não)

os intermúndios serão
os achaques da surdez
o barulho da paixão
uma cor que tu não vês

nas unhas das mulheres deles
são pretas, azuis, vermelhas, verdes,
são amarelas, bordô,
no mesmo corpo,
no mesmo colo,
na mesma mãe

joga o dominó de carne
traaaa-ta-ta-ta-ta,
passa a faca no azul
fode o vermelho,
enfia no amarelo,
esgana o bordô,
cega o verde

somos
os homens nus da prisão
a fúria para cá do vento
o momento

original
chegamos na mesma palha
partimos na mesma tábua
do mesmo lugar
(há um que se vê,
 outro não)

PG-M 2014
fonte da foto

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