2013-01-31

O físico, o matemático, o químico, o filósofo, o político, o linguista e a prostituta

o físico descobriu que a esperança e o medo

têm consequências matemáticas
o matemático sempre soube que a esperança e o medo
têm consequências físicas

(já o amor o químico)

o filósofo, esse,
divorciou-se

o político fumou
todos

o linguista disse que fumar era um eufemismo

por exemplo

a prostituta fuma

PG-M 2013
fonte da foto

2013-01-30

Notas de um longo amor


O que ainda mal entendo 
neste nosso longo amor
dos subúrbios da cidade
é como nos almoços do
café do bairro
tu brilhas sobre todo o universo
e eu desejo a mulher bege
duas mesas adiante
e não faz mal
ou como
quando vou eu às estrelas
com a ideia da devassa
a Terra se parece contigo
e só numa observação cuidada
há vida noutros planetas
e não faz mal

não entendo como uso as pernas
da tipa do sexto bê
como aval de sobrevida
e ainda te persigo na cozinha
e te beijo no cinema
e choro
por te inconter.

Não entendo porque é que a tua beleza
varre tudo do meu corpo
e possui a minha alma
nos subúrbios da cidade
no bairro e no estendal
no carro
(e não faz mal)
no tempo da eternidade

ou quando eu posso,

que é à hora do almoço

PG-M 2013
foto de Amelia Sheperd, aqui

2013-01-27

tarde inverno e futebol


os velhos do café estão todos voltados para a televisão
e de costas para o jardim
eu não
eles são transparentes para mim
eu não sou transparente para eles
o futebol evolui lentamente sobre a minha cabeça
porque a mesa está no vértice do teatro
sob o palco
eu no proscénio
os plátanos lá fora
(não tenho culpa de que sejam plátanos
outra vez)
oscilam e a noite
vacila

a noite só vacila no inverno
quando engole as tardes
e o tempo
e sente culpa
e engorda
pelo dia

dentro

eu não devia ter raiva dos velhos que se perfilam
na plateia do café
nem eles de mim
nem eles deprezo
por estes dedos que batem
poemas

os plátanos lá fora
golo
a escorrer sangue
grande golo
as veias abertas

na cidade
o povo
a afogar

os carros atolados na margem
mas que grande grande
golo

na sala foi o poema
(não os velhos
o futebol ou
os plátanos)
que fodeu a tarde toda

PG-M 2013
fonte da foto

2013-01-24

Os cabelos na noite


Houve um momento na noite em que o pai deixou que na casa uma urgência escalasse as suas próprias paredes.

A urgência que está sempre lá, o mal do amor incondicional, um sufoco indelével e pardo, a síncope permanente. A todo o momento deixa de importar o próprio corpo, o egoísmo intrínseco – em si uma desfocagem da essência – e tudo fica claro, nítido, os corredores da casa mesmo às escuras, e o amor incondicional corporiza-se como objecto, quase sempre os cabelos dela, quase sempre os cabelos dele.

Os delas ficam mais bonitos com o tempo.


Quando o pai entra tarde na cama, se se demorou pela sala, ela está sempre, quase sempre, iluminada. Não é a luz da televisão. Quando se levanta cedo, por desassossego ou dever, a mesma coisa. E não é diferente se fica acordado pela noite ao lado dela, porque um livro ou um filme ou uma série o arrebataram e o quarto fica subitamente dentro de uma noz, o universo fica maior do que o universo, a pequenez agiganta-se e no entanto o mundo inteiro ali, em poucos metros quadrados, o escritor, o pintor, o realizador, o actor, o cantor, explicaram pressurosamente o sentido da vida, e basta um segundo, às vezes nem isso, e um brilho, que pode ser dos olhos ou da própria consciência, refulge no plano visível como uma moeda de prata no deserto.


Quando sente essa urgência o pai tem apenas duas formas de reagir.

Ficar na cama e pousar a mão sobre a cabeça dela e deixar subir pela margem do braço uma espécie de sangue paralelo aos corpos, ainda o amor incondicional, o cabelo tem uma textura própria, nunca teve outra cor que não as cores dela, por pouco tempo apenas o preto, mais tarde o castanho escuro com laivos de vermelho, depois as brancas suaves que lhe ocuparam o pedestal desde os vinte anos, foi a certa altura um cabelo questionado socialmente, põe-te mais velha, devias pintar, mas à força de tanta estima, de tanto amor deles, que de cada vez que a encontram lhe puxam a cabeça para o peito e a sossegam com carícias, o que pareciam brancas espessas, invasoras, tornou-se, com o vagar da vida e a têmpera da felicidade – que na vida pode ser tão áspera e sublime como a desventura na arte – um só conjunto harmonioso e macio onde se a vai buscar inteira.
Quando sente essa urgência o pai tem esta forma de reagir, ficar na cama e pousar a mão sobre a cabeça dela e escutar a respiração dele no outro quarto e então deitar-se, fincar o nariz na almofada e cingir os lábios com força como um sorriso que se trava porque não se pode consentir que o corpo siga sempre o curso do rio que traz dentro, nenhum dique suporta toda a dádiva, o pai tem essa forma de reagir ou a outra:


levantar-se e ver o amor incondicional corporizar-se nos cabelos dele enquanto dorme, os cabelos que foram sempre os mesmos desde o berço, como se o toque do pai pudesse ser traduzido na fórmula científica de uma reacção química, a pele dos dedos mais um fio de cabelo do filho é igual ao batimento cardíaco de ambos sintetizado pela respiração e pelo olhar e talvez – outra vez – pela boca. Ele nasceu cheio de cabelo, depois perdeu-o, depois reganhou-o, esteve num pequeno berço que fora do avô, depois numa cama com grades, depois numa cama que daria para chegar a adulto, e agora, com as medidas a ultrapassar largamente as da mãe, tem exactamente o mesmo cabelo, que o pai toca de forma delicada mas dolorosa, porque sabe que, se no casal há um movimento de fora para dentro, e pode-se sempre tentar entrar, na paternidade tudo é de dentro para fora, ele nasce parte e já parte, estar tão dentro e fora é insuportável, agora ele dorme num beliche alto mas não importa que tenha um corpo de homem, se na noite o pai lhe toca os cabelos o amor incondicional vira sólido. Em sublimação.


Às vezes, há um momento na noite em que o pai deixa que na casa uma urgência escale as suas próprias paredes. Não raro, perante esta urgência que está sempre lá, o pai senta-se na sala a ver a sua imagem reflectida na televisão apagada e o tempo não se estende, suspende-se mas passa depressa, não há pensamentos, não há sentimentos, é só o corpo a voltar ao sítio, às vezes adormece e no outro dia, felizmente, esquece-se de quanto os ama, ou, felizmente, lembra-se de quanto os ama.



PG-M 2013

2013-01-21

Apenas por causa do Pina

Nunca mais, desde a escola - portanto, desde os meus quinze anos - submetera poemas a concurso.
O ano passado vi o nome do Manuel António Pina, entretanto falecido, associado ao Concurso Nacional de Textos de Amor do Museu Nacional da Imprensa - tinha feito parte do júri durante vários anos. Eu teria sempre um profundo pudor em enviar ao próprio Manel qualquer texto, apesar de saber como ele era simples, humilde, acolhedor. Por isso enviei alguns poemas a este concurso, organizado de forma abnegada e apaixonada pelo Museu Nacional da Imprensa, esperando que o Manel os lesse. O estado de saúde não o permitiu, mas o prémio ganhou este ano o nome dele, e o próprio Museu quer que a nova edição e a entrega dos prémios desta fique indelevelmente associado a este concurso.
Tive a sorte de ganhar o primeiro prémio com uma poema sobre o outono dos corpos e a forma como o amor é comunicado a quem fica e por quem fica ou nos sobrevive. O meu egoísmo e mediocridade estão bem patentes nesta prova de amor em quem pede, quase todos os dias, para ir primeiro. Mas eu admito que o estado do mundo se adoça no nosso peito quanto temos alguém a quem dizer:

"(...) só os teus lábios me abrandam
só os teus beijos me calam. (...)"

Que sirva a muitos amores - e mesmo a algumas tempestades - em qualquer estádio ou idade.

Esta é a notícia (fotografia do facebook da Dom Quixote):

"Foi finalmente anunciado o vencedor do Concurso Nacional de Textos de Amor de 2012, e que este ano leva o nome de Manuel António Pina, em homenagem ao grande poeta e ao facto de ter integrado o júri durante muitos anos. A escolha recaiu num autor publicado pela Dom Quixote, Pedro Guilherme-Moreira (A MANHÃ DO MUNDO, edição de Maio de 2011), que venceu o primeiro prémio com o poema «Plátano». 

 O poema pode ser lido aqui.

 E o anúncio do prémio aqui.


 A Dom Quixote saúda o autor por esta conquista no mundo das palavras!"


Este é o poema vencedor:

Plátano

que nem o teu desespero
nas tardes frias de chuva
nem essas mãos a tremer
sobre as cartas que escrevi
nem os plátanos
que te deixam no outono
nem a vigília do inferno
nem a indolência do céu
nem a dor da madrugada
nem dúvidas
sobre o que nasce
certezas
sobre o que morre
nem memórias, por mais doces,
nem absolutamente nada

meu amor te dê a dúvida
de que te pertenço e fico
para lá do fim da noite
e que até no tempo infindo

só os teus lábios me abrandam
só os teus beijos me calam

PG-M 2012
30-01-2012

Abraço a todos.

PG-M 2013


2013-01-18

2013-01-15

Glosa de Lhasa e a vida e a morte e a vida



(Nota prévia: sobre as palavras de Lhasa de Sela em "I'm going in" (abaixo video com a música), que tão bem servem de despedida, agora que faz três anos que nasceu a lenda de que, à morte de Lhasa,  a 1 de Janeiro de 2010, Montreal lhe deu neve por tantos dias que nunca parará)

Estava-me a vida a acabar
e a morte p'ra começar
e eu disse-te que nunca
nunca te deixaria
(mas sabia
que este dia
chegaria)

Dá-me sangue nas minhas bodas
de sangue, estou pronta
para nascer
e aqui cheguei de novo
como se fosse
este o primeiro corpo

Careço de palha para fogo
de palha,
careço da terra mais dura 
no arado
estou pronta

E vou entrar,
Eu vou entrar,
É assim que isto começa
vejo até lá e a distância
que depois nós percorremos
quando esquecemos quem somos

E vou entrar,
Eu vou entrar,
Não suporto mais a dor
nem esta ardência cegante

em que te vou esquecer
sem reencontro

Farás os preparativos
da liberdade da alma
não há tempo para encontros
que eu estarei tão ocupada
a voar o meu momento

Tu vais querer falar comigo
mas nunca entenderei

não há tempo para encontros
que eu estarei tão ocupada

a cair no esquecimento

e a tua mão a tentar
tocar-me
e a tua voz a tentar
falar-me


Não me tentes no sublime

estou muitíssimo ocupada
se cheguei aqui tão longe
não foi para te encontrar


e vou entrar,
eu vou entrar,
e nunca estive tão feia
e nunca estive tão lenta
os muros fecham o cerco

quanto mais longe vou
mais sitiada estou

e vou entrar,
eu vou entrar,
gosto de ti bem longe
porque eu já sou quase nada
ainda que cega
e perdida

tenha inventado o amor

e vou entrar
e vou entrar
e vou entrar

Lhasa de Sela, traduzida por PG-M 2013


fonte da foto
PS: recomendo vivamente que procurem e ouçam a entrevista que lhe fez Carlos Vaz Marques para o Pessoa e Transmissível, na TSF

2013-01-11

Os Azeitonas chegaram ao Terreiro do Paço

À hora em que Os Azeitonas começaram a tocar no Terreiro do
Paço, um Cavaco era perseguido em Paris
pelo fantasma do Sócrates com o livro de Colette
traduzido por Saramago
e dois velhos amigos sentavam-se
a uma longa mesa de madeira lacada a preto
das noites do bar holandês
de Coimbra
e perguntavam-se
se Os Azeitonas chegaram ao Terreiro do Paço
o que vai ser de nós?
Será que o Miguel ainda canta "os aviões"
a capella e há cercas em pedras rubras
como nas tardes em que lá roubávamos
beijos?
E a Nena ainda parte corações
nas manhãs da RTP?
À hora em que Os Azeitonas começaram a tocar no Terreiro do
Paço, o Marcelo executava autópsias
sobre a mesa da Judite
e um ministro observava distraído o dedo dele e as pernas dela
enquanto um fenómeno luminoso ocorria na atmosfera terrestre
ocasionado pelo atrito entre corpos sólidos vindos do espaço
e tu dizias, olha,
uma estrela cadente,
o ministro nada,
o Salsa compunha uma sinfonia
o Marlon tergiversava,
meninos em livrarias chamavam pseudo à Pedreira
e pedreiros sobre mulheres sentiam a jorna
curta.
À hora em que Os Azeitonas começaram a tocar no Terreiro do
Paço, um dizia tenho fé, isto muda,
e sentia o mundo em branco como em dia de eleições,
o Lobo Antunes pensava que se morrer não morre
e lembrava que o Man Ray tinha vergonha
da foto do cadáver do Proust
uma casa de segredos nivelava-se por cima
com o vencedor a enrabar o criador
e um velho a comer uma sopa numa leitaria
da Calçada da Ajuda chorava,
afinal o Rui Veloso nunca vai
gravar um disco só de blues

mas o Porto iluminou-se
com os calos e as vozes das pessoas
e eu acordei com nenhum poema
este discurso de posse
como primeiro ministro, portugueses,
À hora em que Os Azeitonas começam a tocar no Terreiro do
Paço, este é meu projecto para Portugal:
por um lado deixaremos a prostituição
e o comentário político
por outro
mudaremos todos de sexo
e de pensamento
e como os que antes de nós padeceram
de transparência ou invisibilidade
terminaremos aos linguados,
profundos linguados,
a políticos e a políticas,
que então articularão a alma
com uma língua renovada
pornograficamente
a erecção voltará a ser um facto
o jornalismo um meio
as calças terão bolsos e fundilhos
as bocas todas as letras
além do ó,
e quando finalmente as peixeiras se livrarem do medo e da necessidade
de alienação,
a cultura reinará sobre a terra,
e com a culturas as ideias e com as ideias a
poesia,
e com a poesia a poesia e com a poesia a poesia,
À hora em que Os Azeitonas começam a tocar no Terreiro do
Paço, portugueses,
cada um é devolvido a si próprio,
 um Cavaco é perseguido em Paris

pelo fantasma do Sócrates com o livro de Colette
traduzido por Saramago,
que morto é igual a qualquer escritor morto,
mesmo o Lobo Antunes, e
portugueses,
deixará de ser preciso ouvir Pearl
Jam para respirar
se dois velhos amigos se sentarem
a uma longa mesa de madeira lacada a preto
das noites de bares holandeses
e perguntarem
se Os Azeitonas chegaram ao Terreiro do Paço
o que será deles
e o velho que come sopa na leitaria
da Ajuda deixar de chorar
e o Rui Veloso editar
um disco só de blues
e deixar de tocar
para todos nós
o dueto feminino
do Delibes.

PG-M 2013
fonte da foto

2013-01-09

Até para matar a fome é preciso lucidez

O dever supremo de qualquer escritor - de qualquer pessoa - é trabalhar para perceber com a maior clareza possível a sua mediocridade, e só perante um slêncio lúcido, mais ou menos prolongado, recomeçar. E há-de, mesmo que em glória aparente - sempre passageira - voltar a calar-se e a ler e a aprender e a trabalhar com muito afinco, novamente na percepção da sua mediocridade, e a mediocridade é tão móvel como a excelência, e nada tem de casual, como a excelência. E só quando lhe for claro que não faz nada de absoluto poderá fechar a primeira linha. E então sentirá que está esfomeado e juntar-se-á à - rara - alcateia de esfomeados que perora no monte, os que não clamam nada para si além da sobrevivência, tendo presente que não é próprio do lobo comer outros lobos para a alcançar. O escritor deve ser a fera pura, as balas hão-de ser balas, o jogo limpo. Caça-se a matéria do conhecimento, novo ou velho, não a mancha do par. Chegou a hora de nos erguermos acima da merda necessária. Desta mediocridade. Porque até para matar a fome é preciso lucidez.

PG-M 2013

2013-01-07

Sperantia

as júlias resistem ao inverno
nunca vira
janeiro e as júlias pelos campos
nem houvera sede
e o ano todo por correr
nunca pousara o olhar no céu 
antes do corso e nada ouvira
antes do canto de março
nunca sorrira ao vento
da serra

nem esperara um só alento
e tinha a alma gretada
e tinha os dedos azuis
e tinha o corpo encolhido
e uma tristeza
e um frio 
e uma júlia

por dar

PG-M 2013
fonte da foto: autor J.Rosado

2013-01-06

Litania em três mulheres

Como quis e deixou escrito
Amarílis foi ao mar
pelas mãos de Beatriz
no mesmo tom que diria
Maria, sua neta,
e ficaram todas luz
na água clara

Beatriz e a despedida
fervem no sangue
(não ferve nada no sangue)
fazem o sangue correr
espesso
(não fazem correr o sangue

que está parado nas veias
frio,

muito frio)

e então sim dissolvem-se
em água e luz
e tudo é quente

muito quente

e a água salgada recebe
Amarílis
e a água salgada recebe
Maria
e dá Beatriz, a filha,
o corpo todo

a alma inteira

PG-M 2013
fonte da foto

2013-01-04

K (A, B, C) e a involução

Coisa curiosa e perturbante para o meu ofício de escrita:
acabo de ler as três versões do conto de Kafka "Preparativos para uma boda no campo", publicado postumamente e disponível na Assírio & Alvim (vol. 2). Normalmente, sinto que as primeiras versões dos meus textos (e dos textos dos outros) são sempre piores do que as posteriores. Mas a verdade é que, e apesar de ser apenas o meu sentimento, a primeira versão deste conto de Kafka, de 1906 (maço de folhas A), tirou-me o fôlego (a descrição inicial dos movimentos das pessoas na cidade é magnífica), e as seguintes, que vão, creio, até 1909, centram-se mais num personagem, Eduard Raban, e menos no entorno, e não me impressionaram. Claro que foram publicadas as três porque são notoriamente diferentes, e também não sei se Kafka quis que a seguinte eliminasse as anteriores (li em livraria), mas ficou a marca para reflexão: nem tudo o que produzimos depois é melhor. Às vezes pensamos que estamos a depurar e, provavelmente, estamos a sugar a alma do texto.
Foi o que senti nestas três versões do K.

PG-M 2013
fonte da foto

2013-01-03

2013 - metade direita do círculo

 Nos anos de Coimbra chamávamos à água "expectativa" (um dia conto esta história), e hoje ocorreu-me que tenho centenas de ânforas cheias no pátio. Quem quiser passe e leve. Também dou a tracção, para inverter a sublimação. A nave prossegue o reconhecimento. Tanta ânfora gera um corpo sólido que já é mais do que esperança. A Pandora não veio. Depois queixem-se. Chamem-me críptico quando eu me podia limitar à seguinte frase: contem comigo. Contém-me. Em 2013 "vai vir" a utopia sólida e combativa dos sem-garganta. Anotem aí.
 
PG-M 2013

2013 - metade esquerda do círculo


Vai ser um grande ano. Prometo continuar a trazer a minha nave cheia. Ninguém ficará em terra. Queira ou não queira.

PG-M 2013
fonte da foto

Em Janeiro


Em Janeiro,
amo-te quando começam
a madrugada e o vento
e todas as outras coisas
e tudo o que é bom ou mau
como acontece no amor
que tem janeiros no fim
de cada abalo do tempo

Em Janeiro, amo-te pelo que foi
e por tudo o que há-de vir

PG-M 2011
fonte da foto