2013-12-31

Lacerdiana



Lacerdiana: peça de teatro em forma de monólogo em que o dramaturgo se serve de um actor ou actriz como objecto ou tema. Idealmente, o actor ou actriz são o fundamento ou ponto de partida, fundamento esse retomado a cada quinze anos. As mais comuns são as lacerdianas 18 (o actor ou actriz deve ter cerca de 18 anos), lacerdianas 33 (a idade de Cristo), lacerdianas 48 e lacerdianas 63, sendo menos frequentes as restantes. Como é muito difícil que o dramaturgo tenha acesso ao mesmo actor ou actriz de quinze em quinze anos, o objecto muda frequentemente, não se conhecendo uma único caso em que o actor tenha sido o mesmo em todas as lacerdianas, necessariamente o escopo fundador do "inventor" desta formato, Pierre Guillaume. A primeira lacerdiana conhecida teve a sua primeira representação, pensa-se, faz hoje precisamente cem anos, 31 de Dezembro de 1913, no Théâtre Inez de Castro, em Nouvelle Ville du Callem. Foi uma lacerdiana 18, e a actriz que serviu de inspiração foi precisamente a conhecida Mademoiselle Lacerda. O nível de ficção desta entrada de dicionário prende-se apenas com a data da primeira representação, que é imprecisa e carece de provas mais cabais. O restante, contudo, está objectivamente comprovado e é fiel aos seus protagonistas. A lacerdiana é formalmente estimulante para todos os dramaturgos, embora extravase as fronteiras do teatro clássico e a própria posição relativa dos elementos em jogo. Para a celebração dos cem anos, vários dramaturgos - temos nota de pelo menos um - escreveram lacerdianas, sendo a mais conhecida em Portugal "Ekaterina sobre tudo" - uma lacerdiana 18 - elaborada, curiosamente, por um descendente português de Pierre Guillaume e cujo objecto é uma descendente portuguesa da Mademoiselle Lacerda. É inspirado nos clássicos russos. Espera-se encenação e representação nacional nos próximos cinco anos. A expectativa é grande. Não são previsíveis pateadas, como na Soror Mariana, mas Almadas há muitos. Entretanto, em Março de 2014 volta o Turismo Infinito ao Teatro Nacional São João, no Porto, logo seguido, precisamente, de Al mada nada.

PG-M 2013

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