2013-11-26

Um instante numa estante

 Um destes dias, numa das livrarias que habitualmente frequento, vi que, depois de muitos meses de ausência, um livreiro mais afoito trouxe de volta "A manhã do mundo". Mas o que me fez sorrir foi reparar nos meus companheiros de estante, que, com sorte, o serão pela eternidade, e resolvi trazer-vos este mimo: começando no Almada Negreiros (estás aí?), prosseguindo no Paulo José Miranda (estás aí?), na Julieta Monginho (estás aí?), no Paulo M. Morais (estás aí?), no Miguel Miranda (estás aí?), no Vitorino Nemésio, Abel Neves, José Niza e Rui Nunes (estão aí?), no Vicente Alves Do Ó (estás aí?), na Raquel Ochoa (estás aí?), o Carlos de Oliveira, o Luiz e o Francisco do Pacheco - que é irmão do Vicente - (estão aí?), e, para fechar este vislumbre (este assombro?), o João Rebocho Pais, que aqui na rede social se dá por Red Jan. O privilégio é estarmos ali, calados, a falar para todos, e também, acima de tudo, e ainda que menos literário, podermos trocar abraços com quase todos, enquanto há tempo. Depois fica o melhor: nós na terra, os livros ao pó ou nas mãos, em livrarias, estantes ou blibliotecas - porque eu ainda não vi nenhum livro em lixeiras, ainda que saiba que também lá vivem, até serem resgatados. E, apesar de o próprio Orwell ter testemunhado o perigo do desencanto pelos livros quando se trabalha numa livraria, tenho quase a certeza que seria gratificante para os funcionários desta livraria perceber que um destes dias um dos autores daquele nicho tirou uma fotografia à estante que eles organizaram e os livros (os autores:) entraram em diálogo uns com os outros. Eles estão sempre ali. E vocês, estão aí?

PG-M 2013

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