2013-11-26

Segunda-feira

 À segunda-feira voltamos a ser ilhas, e isto nem sempre é mau.
A separação dos corpos fere, ao centro do peito volta o bloco de chumbo, o peso da semana nova, que o olhar desalija conforme os dias passam, até voltarem os amigos, os filhos e as mulheres para debaixo das mãos, o que, mesmo que aconteça todos os dias, não se demora como ao sábado e ao domingo. Hoje há mais lágrimas ao volante ou enquanto o nosso vulto se verga noutras paisagens. Quem não fecha os olhos a nada, da tv às redes sociais, acha tudo inútil e supérfluo momentaneamente. Temos condições para perceber que a sabedoria está na escuta, na serenidade de saber manter essa reserva de músculo na sombra. E o melhor não é gritado a céu aberto em vista de um só centro, mas feito difuso, por todos, a céu fechado E construimos o mundo. Mesmo que doa.
E até os sorrisos, hoje, doem.

PG-M 2013

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