2013-10-21

Escritaria Mário de Carvalho

Escritaria, Penafilel, 2013: uma convicção de dimensão e sentimento. É tudo grande porque não há bicos de pés. Não cresce demasiado, porque se contém. Mesmos os eruditos que são chatos, e por isso menos sábios, são acolhidos com ternura. Há sempre riso e choro e empatia. Profunda empatia. Não está em causa nunca se o homenageado é um grande escritor, porque é da natureza dos homenageados não suportarem a tabela periódica das artes. Apenas se merecem. Tem de haver um percurso largo e comprido, de ter passado tempo. Assim Mário de Carvalho. Urbano. Agustina. Saramago. Lobo Antunes. Até o jovem Mia, para quem eu pedi um Nobel há dez anos. Nobel para Moçambique. Assim Mário de Carvalho. Dizem-se sempre coisa bonitas, as pessoas roubam os cubos com palavras das ruas. Desta vez havia caixas de pizza com contos do Mário. O índice do elogio balofo é baixíssimo. E sempre que lá vou afundo. Afundo mais e mais para a minha pequenez. Fico do pouco tamanho que tenho, como deve ser. Quantos mais crescemos mais pequenos nos tornamos, mas ainda melhor é ter quem nos mostre isso, por ser tamanho. Rendo-me. PG-M 2013

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