2013-09-17

O olimpo para Mrs Blanchett (a Blue Jasmine de Woody)


Gosto quando o Woody Allen do século XXI chama os filmes pelo nome das mulheres que exalta, por mais que em Blue Jasmine nada pareça exaltação. Mas é. Se no século passado Annie Hall exaltava a sua Diane Keaton, Alice a sua Mia Farrow, neste século - e não tendo Cassandra's Dream nada a ver com protagonistas - o melhor argumentista dos dois (séculos) já me fez apaixonar pela Melinda de Rahda Mitchell (um raro falhanço nas minhas previsões da "next big thing", porque Rahda desapareceu do radar), empolgar com a María Elena de Penélope Cruz em Vicky Cristina Barcelona e agora solidificar - e tornar eterna como só um bom casamento - a minha relação de muitos anos com Mrs Blanchett (leia-se "Blanchê", à francesa, embora os dois tês não deixem espaço para nada de tão pretensioso, eles chamam-na Blanchéte e está tudo dito).
Ora, sejamos claros: apesar da grandessíssima porcaria que foi a recolha de fundos e o "kiss-ass" ao governo italiano e aos patrocinadores do medíocre "To Rome with love", nenhum verdadeiro fã do Woody Allen tem memória para os disparates do homem, tal é a frequência com que ele nos dá coisas boas. A bem dizer, aqui não se escreve sobre coisas boas. Aqui, quando se escreve sobre cinema, é porque algo de excepcional se impõe. Algo ou alguma pessoa. Pois neste caso chama-se Catherine.
Sobre o filme? Está bem, vamos arrumar o filme para podermos escrever sobre o que interessa: como o próprio título sugere, é uma melodia de blues sobre a contemporaneidade. Como sabem, os blues, sendo quase sempre tristes, não são construídos para entristecerem, mas para fazerem vibrar, para exporem a terra, o pó, as vísceras. Assim este filme. Sempre muito bem escrito nos diálogos da banalidade, e por isso arrancando gargalhadas, poucos filmes nos enfiam um murro de contemporaneidade e nos deixam tão lúcidos e cientes dos tempos que vivemos. Portanto, só o filme vale os cinco ou seis ou sete euros que agora nos pedem por ele. E temos Woody mais Woody, mesmo que já nada o afaste do dinheiro que paga os filmes com o product placement (também ninguém se importa de ver os produtos Apple, são sempre cool, mesmo para um googler como eu ou um blackberrier como o Woody).

Mas depois de termos o filme justificado e pago, vem a deusa que se auto-retrata em plena decadência, e que Woody nunca deixa parecer menos do que sublime. Porque os vestidos são perfeitos, porque os acessórios a que ela se agarrou, vindos da sua vida anterior (rica), lhe assentam num corpo invejável, Jasmine é uma mulher depois da queda a tentar levantar-se sem perder a classe, Cate Blanchett nunca deixou de ser muito bonita sem ser consensual (que é o que importa, afinal) e aqui nunca perde o pé na sua passerelle, e, apesar dos grandes papéis em que deu sempre o máximo na sua carreira e do óscar de secundária por "O Aviador", faz o papel de uma vida em Blue Jasmine.

Por isso, e sem mais delongas, é a primeira da lista e dificilmente deixará de ser minha favorita (se a academia a não preterir, claro), exige-se:

Óscar de melhor actriz principal para a meia-australiana-meia-americana Mrs Catherine Elise Blanchett.

(que, por ter um casamento de mais de quinze anos com o malvado do Andrew Upton, não deixa espaço para mais pedidos)

Imperdível. Antes de saírem, têm abaixo mais umas ligações para a presença da deusa no David Letterman (sobre este meso filme) e para um artigo antigo sobre a Cate neste mesmo blogue.

PG-M 201
fonte da foto
PS: não é a primeira vez que me confesso. Leia-se o post antigo aqui.
PS2: entrevista completa ao David Letterman sobre Blue Jasmine:

2 comentários:

Virginia disse...

Inteiramente de acordo....só que nunca me ocorreu casar com a Madame Cate Blanchett.
Mas tomar um chá no Tiffany's ou no Majestic seria uma coisa do outro mundo ( isto é se não fosse eu a pagar, mas ela....)

Abraço

Pedro Guilherme-Moreira disse...

Não falei em casamento,mas se ela viesse pagava o chá com gosto 😉