2013-07-10

No dia dos meus anos


se me quiseres comer
na unidade da língua escrita
situada entre dois tempos
brancos
se me quiseres
profanar
com o canto das palavras
esquece a totalidade

do futuro

nada foi bom
nem tampouco te conheço
sou só um êmbolo frio
dois dedos da tua mão
o canalha sem regresso

no dia dos meus anos

guarda-me os lábios gretados
secos de solidão
acolhe-me a boca limpa
de pecados
não te consentirei a língua
inescrita
nem saliva nem perfume
não ficarás nua nem eu
dentro de ti

porque este amor é amplo, talvez
do infinito
porque este amante é plano, talvez
o incumprido, talvez
o infusível, talvez
o incombusto, talvez
o insepulto, mas

permite-te o proibido

sê áspera e insolente
transforma o abraço em beijo
o beijo em penetração
a penetração em grito
(e já sem frases nem silêncios nem templos
em branco)
o grito em penetração
a penetração em beijo
o beijo no longo braço
que me entra pela glote
e me sangra de venenos

no dia
dos meus anos

PG-M 2013 (um 10 de Julho, claro)
fonte da foto

2 comentários:

Virginia disse...

Fazes anos hoje, Pedro?


Gosto do poema.


Muitos parabéns.....e não morras aqui:)))

Abº

Pedro Guilherme-Moreira disse...

fazia, Virgínia, mas não era por isso:)