2013-06-13

Efeitos Secundários



Encantamento quase absoluto a que não se deve resistir nem um bocadinho:
A sessão na EB2+3 de Valadares, Gaia - que, sendo perto de casa, foi o meu fim do mundo, depois de dois anos de aventura de livro -, não tendo sido especialmente preparada por mim ou pelos miúdos que lá estiveram, está a ter um efeito viral muito curioso, provavelmente porque no post anterior eu falo da comunicação possível entre gerações, e a Catarina, a estrela da sessão, tem levado a palavra às redes sociais e aos grupos em que a plateia jovem da sessão está inserida, ou seja, passei de uma potencial "seca" para algo que lhes está a importar mesmo. Muitos nunca leram um livro e agora estão interessados. Alguns até me expicaram que, se não conseguirem "arranjar online", talvez o comprem, e eu tenho-lhes dito que eles gastam tantas vezes 10 euros em jogos e roupas de marca, que podem premiar a editora e o escritor com quem partilharam a alma com a compra do livro em papel, que vão ver que é uma sensação nova, ter um livro que quiseram por causa de uma pessoa que conheceram e até os tratou, não só com respeito, mas com sentimento. Tenho agradecido à Catarina esse entusiasmo inestimável. E a todos os outros, que me têm feito sorrir. Um deles peguntou porque é que chamei Ignorância ao meu blogue e eu apresentei-lhe o verdadeiro Sócrates. Outro disse que não tinha percebido o post sobre a sessão, e eu pedi-lhe para se concentrar e ler com calma: uma cabecinha habituada ao prazer visual imediato, a sms com monossílabos, não pode ler aquele texto "en passant". Mas lê, porque tu estás lá. E ele leu. Outro disse-me que eu sabia fazer perguntas (com efeito, quando eles não as fazem, faço eu) ao "pessoal", e eu respondi-lhe que apenas me importava com quem tinha à frente. Ou seja, os efeitos secundários de quem se dá, como eu a eles e eles a mim, e assim afronta uma certa frieza quotidiana ou o medo de levantar a pele para deixar entrar os outros, estão a fazer-se sentir também neles. É bom que, por uma vez, não tenha só eu esse "stress-pós-traumático" de sentir a falta deles nos dias que se seguem às sessões, e pense tantas vezes: "E se nunca mais os vejo?". É bom que eles se tenham aproximado um bocadinho de mim e me queiram voltar a ouvir. Eu sou mesmo pouco dotado na arte da oratória. Mas é tão bom ouvir, dois dias depois, a pergunta: "Quando volta à escola?" ou "Mas eu vou sair daquela escola, e agora?". Eu digo sempre que me têm quanto quiserem e onde quiserem. Só peço uma coisa: leiam-me. Por pouco que seja, leiam-me, que eu pagarei sempre com juros.

PG-M 2013

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