2013-02-25

Take this (perfect?) Waltz

Take this Waltz não é um filme perfeito, mas parece.
Talvez Michelle Williams esteja longe de ser perfeita, mas parece.
E diz que para as senhoras Luke Kirby está mesmo próximo da perfeição.
Até Seth Rogen, que é sempre medíocre, se torna suficiente.
E a canadiana Sarah Polley, se não filma de forma quase perfeita uma rua de subúrbio do seu Canadá, parece mesmo. E escreve ainda melhor, uma escrita que vem de um lugar que não é habitual encontrar no cinema americano. Talvez os canadianos tenham um tempo e uma densidade que os vizinhos do sul andam a deixar fugir.
Há neste filme coisas raras que temos para nós como fundamentos da vida, por mais que pareçam adereços: honestidade, lealdade, pureza. Há um ritmo próprio e cenas memoráveis: finalmente entrei num balneário de mulheres, de muheres imperfeitas como as melhores, e foi bonito.
Ainda que a composição da piscina, a dança dos infiéis, seja pouco original, deixem-me sucumbir: é tão bonita, caramba, tão simbólica. Como simples é aquela frase final da cunhada, que nos põe a todos a pensar: a vida tem falhas por natureza, não as tentes preencher a todas.
Digam-me se entenderam o que eu entendi: talvez valha mais um preenchimento físico regular, que não necessariamente sexual, uma ocupação da mancha que tapa os buracos para onde caímos, do que a aparência de uma relação perfeita que nos preenche intelectualmente e até sexualmente. No final, digam-me o que queriam para Michelle (Margot): uma certa imperfeição ou uma certa perfeição. E será assim tão injusto casar com a família? E partir uma família em vários bocados?
Eu sempre disse que o amor nunca foi, nunca será, um jantar à luz das velas. O verdadeiro amor é a sabedoria na gestão do imperfeito. Vão ao cinema mergulhar na valsa e percebam que são mais felizes do que o que pensam.

PG-M 2013
fonte da foto


2 comentários:

Isto e aquilo disse...

Já tinha muita vontade de ver este filme. Mas depois de ler este fantástico texto, Pedro, tenho a certeza que não vou perdê-lo. :))
Isabel Mouzinho

Pedro Guilherme-Moreira disse...

obrigado, Isabel. Vai. Vale mesmo a pena.:)