2013-02-27

Somos os assassinos do pensamento divergente

Imperdível, vale cada minuto, é mesmo urgente. Mudando a forma de ensinar: impressionante como, quando pequenos, estamos todos ao nível do génio quanto ao pensamento divergente, incrível como a actual escola nos mata isso. Eu sei que são precisas gerações para mudar, mas por favor veja, pensem, falem. Este vídeo foi partilhado por uma grande professora de português chamada Fiipa Fava. Abaixo falo-vos dos critérios de correcção da disciplina de português hoje:
Embora eu, como pai, já tivesse várias vezes sentido a inanidade dos critérios de correcção da disciplina de português entre o 5º e o 12º ano de escolaridade, só com a partilha de um documento oficial por uma boa amiga pude lê-los incrédulo. E então escrevi assim em post no facebook: "Salvem os professores de português. Salvem a língua portuguesa. Perante estes critérios (em anexo, um pdf inane), os nossos maiores escritores teriam zero. Há miúdos excelentes a ter zero em provas de português neste preciso momento - e isso posso comprovar. Estes critérios de correcção são gelados. Lê-los e tê-los presentes em cada correcção é suficiente para esvaziar o corpo de todo o sangue e não sentir a língua. Não tem sentido licenciar pessoas e depois agrilhoá-las desta forma, como se fossem mentecaptos. A isto se aditam as grelhas de correcção, verdadeiras penitenciárias da alma de um educador. Com todo o respeito que posso ter pelos "cientistas" que fizeram isto, que não é muito, um bom professor de português lê e sente a língua, sabe muito bem, e sabe-o instintivamente, o que é a língua e como o aluno a domina ou não, o que precisa ou deixa de precisar. Sabe classificar. Sabe avaliar. Estes critérios vi-os eu em professores medíocres e a esmagar toda e qualquer criatividade. Então quando aparecia o brilho da verdadeira literatura num miúdo, era o zero que esperava (e espera). O político responderá sempre que "não é bem assim", é este a triste realidade do ensino de português. Deixem os bons professores em paz e sossego. Aliás, experimentem dizer a um editor para aplicar estes critérios aos candidatos a escritor: nunca mais veríamos literatura nas livrarias.



http://www.gave.min-edu.pt/np3content/?newsId=430&fileName=TI_Port12_Fev2013_CC.pdf"



Acima fica a ligação para que possam ficar incrédulos, também.


Pena também que, efectivamente, pregar isto nesta realidade política e perante a mediocridade (esta, sim, epidémica) não adiante muito. Mas é precisamente um a um que mudamos o mundo. Não há outra forma de o fazer. Se cinco meninos da turma transmitirem isto a outros cinco, quando adultos, ou mesmo ainda crianças, exponenciamos o pensamento e preparamos a geração que realmente vai resolver isto - talvez a dos nossos netos ou bisnetos, não antes. O problema é que, juntamente com lucidez, há sempre uma proposta populista e demagógica. Tenho este pessimismo de que as pessoas de maior qualidade acabam por não aguentar ser sujeitos políticos. Esta certeza de que os melhores fogem todos rapidamente, e que no centro do poder só ficam os suficientes e medíocres.



PG-M 2013

4 comentários:

Virginia disse...

Hoje parece que não saio deste blog - embora entretanto já tenha feito muitas outras coisas, como uns palmiers para os meus netos - três - que estão aqui a ver TV que nem uns anjinhos:)))

Este post é um murro na cara do eduquês!! Bravo!

Estou a trabalhar num projecto de inglês para o 10º ano e como autora, recusei-me a fazer fichas de avaliação com matrizes castradoras da liberdade de expressão e criatividade dos alunos. A editora arranjou-me uma "agente" de ensino para me pôr na ordem ...e mais não digo. O projecto traz todos os ingredientes obrigatórios e contra-natura que eu detesto e aos quais me oponho veementemente. A "agente" em questão passou a co-autora, brilha na divulgação do projecto ( porque é mesmo brilhante) e produz fichas tal qual o ME manda.
Até é natural que os profs mediocres prefiram saber se os erros de ortografia são relevantes ou não, ou se devem atribuir 40 à composição ou só 20, mas a verdade é que tendo de obedecer a esses critérios espartilhantes, não vêem a floresta e decapitam os melhores, aqueles que não se regem por nenhuma dessas regras.
Faz-me lembrar um aluno do qual não me esqueço. Quando perguntei qual o invento que maior revolução tinha causado na civilização moderna, perante as respostas óbvias ( o carro, a televisão, a Internet, a lâmpada eléctrica) , ele respondeu com toda a calma do mundo: o Piano!
Este aluno estava errado....:))
Mas eu dei-lhe um 20!!

Pedro Guilherme-Moreira disse...

Fantástico. Mas claro que foi o piano. Aliás, o piano já existia antes de ser inventado, estava intuído.:) Excelente testemunho, Virgínia. Não se apoquente por não sair do blogue. Eu sou igual,quando encontro algo que me estimula. É uma acção que é em si o elogio,que mais uma vez agradeço. Nunca vi fazer palmiers, só os comi feitos. Fico curioso.:)

Virginia disse...

Não sigo matrizes para fazer palmiers:))

Compro a massa folhada no supermercado, descongelo-a e estico-a em cima da tábua. Depois , começo a enrolar numa ponta o mais apertado possível, tipo rolinho até meio. Faço o mesmo à outra metade da massa, enrolo-a até se encontrarem as duas. Ficam dois rolinhos lado a lado. Com uma faca, corto a massa trasnversalmente - 1,5cm - e fico com palmiers pequeninos, que disponho numa forma, com algum espaço entre eles para poderem crescer. Podem-se polvilhar de açucar ao enrolar, se se quiser que sejam doces. Vão ao forno muito quente e fazem-se em 10m. As vezes podem-se virar, mas não é obrigatório.
Deixa-se arrefecer, pois a massa quente faz mal ao estômago!!!:))

Não sei o que é que isto tem a ver com o pensamento divergente, mas lá que diverge do que está ali em cima, diverge....

Pedro Guilherme-Moreira disse...

ahahah. Que bonito poema escreveu, esse "Palmier":). Obrigado.