2013-01-21

Apenas por causa do Pina

Nunca mais, desde a escola - portanto, desde os meus quinze anos - submetera poemas a concurso.
O ano passado vi o nome do Manuel António Pina, entretanto falecido, associado ao Concurso Nacional de Textos de Amor do Museu Nacional da Imprensa - tinha feito parte do júri durante vários anos. Eu teria sempre um profundo pudor em enviar ao próprio Manel qualquer texto, apesar de saber como ele era simples, humilde, acolhedor. Por isso enviei alguns poemas a este concurso, organizado de forma abnegada e apaixonada pelo Museu Nacional da Imprensa, esperando que o Manel os lesse. O estado de saúde não o permitiu, mas o prémio ganhou este ano o nome dele, e o próprio Museu quer que a nova edição e a entrega dos prémios desta fique indelevelmente associado a este concurso.
Tive a sorte de ganhar o primeiro prémio com uma poema sobre o outono dos corpos e a forma como o amor é comunicado a quem fica e por quem fica ou nos sobrevive. O meu egoísmo e mediocridade estão bem patentes nesta prova de amor em quem pede, quase todos os dias, para ir primeiro. Mas eu admito que o estado do mundo se adoça no nosso peito quanto temos alguém a quem dizer:

"(...) só os teus lábios me abrandam
só os teus beijos me calam. (...)"

Que sirva a muitos amores - e mesmo a algumas tempestades - em qualquer estádio ou idade.

Esta é a notícia (fotografia do facebook da Dom Quixote):

"Foi finalmente anunciado o vencedor do Concurso Nacional de Textos de Amor de 2012, e que este ano leva o nome de Manuel António Pina, em homenagem ao grande poeta e ao facto de ter integrado o júri durante muitos anos. A escolha recaiu num autor publicado pela Dom Quixote, Pedro Guilherme-Moreira (A MANHÃ DO MUNDO, edição de Maio de 2011), que venceu o primeiro prémio com o poema «Plátano». 

 O poema pode ser lido aqui.

 E o anúncio do prémio aqui.


 A Dom Quixote saúda o autor por esta conquista no mundo das palavras!"


Este é o poema vencedor:

Plátano

que nem o teu desespero
nas tardes frias de chuva
nem essas mãos a tremer
sobre as cartas que escrevi
nem os plátanos
que te deixam no outono
nem a vigília do inferno
nem a indolência do céu
nem a dor da madrugada
nem dúvidas
sobre o que nasce
certezas
sobre o que morre
nem memórias, por mais doces,
nem absolutamente nada

meu amor te dê a dúvida
de que te pertenço e fico
para lá do fim da noite
e que até no tempo infindo

só os teus lábios me abrandam
só os teus beijos me calam

PG-M 2012
30-01-2012

Abraço a todos.

PG-M 2013


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