2012-11-07

Porcelana

Há uma erva a que chamam porcelana.
Diz que é prostrada e de caule avermelhado.
Tu, portanto, que és sequóia a um tempo e porcelana a dois.
Conheci-te como semente atrás de um vidro. Depois uma planta frágil num vaso consistente. Depois a sequóia para a qual não havia vasos possíveis para lá dos que me comunicavam o teu sangue. Depois a desmesura a trazer-te de novo à porcelana. Erva prostrada de caule avermelhado. Sempre atrás de um vidro. Não sei se o da montra da florista urbana, se o que as pessoas trazem sempre em torno. Diria que nos dias bons era o primeiro, nos menos bons o segundo. Um dia vou abraçar-te e ter a escala da carne aplicada a cada pressentimento. É o dia em que a sequóia adornará à escala humana e a porcelana ganhará textura e deixará a prostração, ainda que preserve o caule avermelhado que vem do que ferve em ti. Isso eu sempre soube que era honra. Há uma espessura própria dos seres vivos decorosos, pelo que sei que alcançarás uma forma adequada e me sustentarás nos braços. Em qualquer das formas foste sempre a mais bonita, mas sempre soubeste que essa era a propriedade do vidro. O vidro que não ocorre na circunstância de duas pessoas que se abraçam. A única coisa que espero desse abraço és tu. Finalmente.

PG-M 2012
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