2012-07-27

Update: e ao quarto episódio colaram-nos à parede

Um breve "update" sobre a série "The Newsroom", objecto do post anterior:
os vários parâmetros - normalmente flutuantes numa série, por boa que seja, e mais estáveis num filme - que aguardavam a articulação perfeita estiveram irrepreensíveis no quarto epísódio desta primeira temporada. O argumento, o ritmo, os actores, o factor entretenimento. E acima de tudo o que prevalece: a sensação de que a história da televisão se está a fazer perante os nossos olhos. Faltava associar ao idealismo e à inocência o realismo cortante do status quo dos media actuais. O americano é, mesmo que noutro contexto e a outro nível, o que nos espera aqui na Europa mais cedo ou mais tarde. Chega a ser impressionante a forma como subitamente nos defrontamos com a realidade da implosão num grupo mediático: como o poder chega ao ponto de precisar de destruir a sua "âncora", o seu "pivô" estrela. Como o medo toca os mais desassombrados: porque quem nos quer tramar está dentro da nossa própria casa. E não é um colega menos leal. É o próprio poder, o que pode acabar com a nossa vida fazendo com que um camião se despiste "acidentalmente", e no entanto prefere fazê-lo paulatinamente, de forma perversa e inatacável. Esta será já a realidade das nossas redacções. Ou, se não é ainda, sê-lo-á brevemente. Agora sim: imperdível a bem da sanidade mental e da lucidez. Mas vai ser muito difícil manter este nível. Custa mesmo a acreditar que o faça, mas é isso que nos faz resistir deste lado. Por um muitos finais inebriantes, como este, em crescendo, ao som de "Fix You", dos Coldplay.

PG-M 2012

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