2012-07-06

treze anos

ouvi casualmente as vizinhas
que tratam da nossa vida
diz que o menino foi sozinho de férias

desse meu filho
sobra agora o espaço
a amplitude do corpo
a trajectória linear nas divisões da casa
faltam as mãos que insistem nas mãos
o corpo estreito ao torso
de nada a tudo
de noz a sombra
dorme dorme meu menino
dos meus braços pequenino
dorme até que o vento abrande
dorme até que o sol se tenha
dorme todo no meu colo
dorme só o que te sobra
dorme a raiva e a paixão
dorme todo o teu tamanho
dorme dorme meu menino
dorme sempre pequenino
dorme o silêncio do pai
dorme o deserto da mãe
deixa o teu corpo maior
desbotar do mal menor

do amor.

PG-M 2012

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