2012-07-12

O defeito de celebrar cada um


Pode parecer gabarolice, não tivesse eu noção de que nada significa. No entanto, às cerca de 250 mensagens privadas que recebi no dia 10 de Julho, assim como às dezenas de comentários que conseguiram entrar num mural fechado, respondi com gratidão e pontualmente, uma a uma e nunca demorando mais de uma hora a cada uma. A nenhuma me limitei a agradecer, como sabem os que as deixaram. Tive uma palavra diferente para casa pessoa, ainda que isso não signifique nada, nenhuma declaração, nenhuma posição de falso moralismo. E ainda consegui atender dezenas de chamadas, trabalhar, ficar fechado uma hora fora do escritório, ir ao cinema, almoçar e jantar fora. Uma amiga interrompeu a praia para me abrir o escritório. Outra, que não contava ver-me ontem, fechou sobre mim um abraço que é muito raro receber fora de portas - quando me viu à porta do cinema. E aí eu tive a certeza de que estamos a perder hábitos. A carne. Há um ano pedi à editora para fazer coincidir o 10 de Julho com o lançamento nortenho d'"A manhã do mundo". Foi uma feliz confusão, mas em que não tive o tempo que ontem me sobrou para devolver mimo a quem tomava tempo para mo dar. Sabem os que me conhecem o quão pouco ligo a quem me dá os parabéns, e muito menos a quem não mos dá. Considero-o mesmo um acto social irrelevante, que importa apenas dentro da família. Fora disso nenhuma amizade se perderá por falta de coloquialismo. Mas sei que a experiência de os receber numa rede social, sendo aproveitada e agradecida, é, primeiro curiosa, depois poderosa, grata. Não me resta uma sombra de dúvida de que serei censurado pelo que acabo de escrever. Importa pouco. Fiz o mesmo quando o livro saiu. Agradeci um a um. Fiz o mesmo nos convites para o Porto: convidei um a um e sempre com palavras pessoais. No lançamento de Lisboa, foram os amigos do facebook que não temem a pele que encheram o auditório da Bulhosa de Entrecampos. Agradeci um a um e penso não ter falhado ninguém. Não há motivo para não se ser assim. Ignorar olimpicamente pode dar estilo, mas não dá vida. Prefiro esta inocência tardia. Gabarolas. Tanta coisa para agradecer a quem merece. Obrigado, pessoal. Contem sempre comigo, mesmo aqueles a quem eu já falhei.

Abraço forte, Pedro G-M

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