2012-07-29

Abismos negros

Num curioso artigo de página inteira do El País de 21 de Julho de 2012, passado Sábado, Vicente Molina Foix dá uma panorâmica factual, política e arquitectónica do monumento à memória dos desaparecidos do 11 de Setembro de 2001. Não se limita a criticar. Aliás, critica pouco. Entra connosco no "ground zero" e descreve minuciosamente o que está e o que pretende simbolizar. Quando chega às duas fontes negras para onde caem cascatas de água põe a nu algo que nunca me tinha ocorrido: sem se tratar de virar a cara aos factos, a verdade é que o memorial foi pensado para constituir um momento de serena comunhão com a memória dos mortos. Aquelas piscinas negras, no entanto, diz Foix, acentuam a sensação de perda e provocam uma comoção inesperada. Estas sensações fortes têm feito do memorial um caso de sucesso, mas talvez não sirvam o propósito para que foram criadas. Foix chama-lhe o "mayor logro estético" do monumento. Eu tendo a concordar, mesmo que um dia - in loco - sinta necessidade de me retratar. O desenho que acompanha este post é também o que acompanha o artigo de Foix, que aliás pode ser lido aqui. Este desenho de Enrique Flores é talvez o mais comovente de todos os que vi sobre o 11 de Setembro. Lembra a "árvore sobrevivente", uma pereira salva dos escombros e hoje recuperada e em lugar de destaque no memorial. No lado oposto da treva. Que é, claro, o da luz.

PG-M 2012

1 comentário:

SEVE disse...

Espantoso!

Que imaginação!