2012-04-02

O joelho


Comove-me o joelho dela quando às três da manhã nele pouso a mão e me lembro das covinhas que há quase trinta anos desejava tocar sem imaginar que eram mais do que comportas de prazer e que o amor era esta coisa fina, plana, infinitamente comprida, este joelho morno aninhado sob a minha mão é mais do que qualquer oração eloquente e deixa-me com aquela forma de choro que não se expressa em lágrimas - os olhos estão quase sempre fechados, ou abertos para o negrume do quarto - mas na anormal contracção do diafragma e dos músculos intercostais e num subtil vinco nos lábios que não chega a ser sorriso.

PG-M 2012

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