2012-02-02

Pedro

Nota prévia: não é meu costume expor o meu filho pelas melhores razões. Pelas piores nenhum pai expõe. Tenho uma fotografia em toda a rede em que se vê a cara dele, ainda pequenino. E este poema que ele escreveu com nove anos, e que a Prof.Dra Ana Maria Chaves, emérita tradutora, traduziu espontaneamente assim e me enviou por email, o que deu início à nossa amizade. Não escreveu mais nenhum. Até hoje. Lê pouco, não escreve, mas quando escreve escreve assim. Sinto-me obrigado a publicá-lo, não por ser pai, nem sequer pela qualidade do texto, mas pelo testemunho de um processo raro: ele não é de letras nem se interessa por elas. Mas escreve aos doze a um amigo imaginário, que insiste em dizer não ser o próprio pai, que também se chama Pedro - e o que as palavras encerram é profundo e belo.

Pedro

Pedro, és agora a minha estrela
a que brilha lá no céu lá no escuro
cada vez eu morro mais, cada dia mais um pouco
por não estares aqui connosco.
Cada vez brilho mais à tua beira e no isolamento total de quem
nos ama

E agora na torre estás tu pendurado cada dia, cada dia
penso em ti como a luz para iluminar o meu
caminho
cada dia morro em paz a olhar essa paixão

e a estrela agora é a tua
alma

Gui
fonte da foto

PS: E alguns dias depois, a fantástica Profª Ana Maria Chaves enviou-me a tradução, mais uma vez feita de forma espontânea:



PEDRO
(by Gui Moreira - Translated by Ana Maria Chaves)

Pedro, you are now my star
the one that shines up there in the dark
I die every day, every day a little more
for you’re not here with us.
I shine every day a little more by your side
in the utter loneliness of those who
love us

And now you’re hanging in the tower every day, and every day
I think of you as a light that illumes my
way
every day I die in peace contemplating that passion

and the star is now your
soul

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