2012-02-18

Hugomatógrafo

Apresentem-se as críticas e as reservas que se apresentarem, diga-se que o 3D, apesar de deslumbrante e usado com propriedade, é a anti-natureza do próprio filme, que os actores podiam ter densidade - e não apenas beleza (no caso dos pequenos) e classe (no caso dos maiores), por aqui só se consegue dizer que "Hugo" é cinema pleno e que até para a magia dos primóridos desta arte, que retrata, era irrelevante o primor e fundamental a paixão e o empenhamento. Scorcese e o empenhamento são irmão gémeos, e o mestre debita. Seria pena que, por mais que a própria indústria não esteja com muita vontade de o consagrar, este filme não fosse o vencedor da noite dos óscares. Porque às vezes o simbolismo, sendo arrojado e corajoso, conta. E este filme merecia ser um símbolo. E depois darem-me a Paris dos anos 20 e 30 e ainda por cima a gare de Montparnasse ao tempo em que o meu bisavô a usava é demais para o coração. Já tenho preparada a carta: "Senhor Scorcese, o modelo do Paris do pós-guerra mandava-se aos amigos que estão com a ideia de situar um romance aí e nessa data, não?"

PG-M 2012
fonte da foto

3 comentários:

sem-se-ver disse...

belo título, o do seu post.

tb saí de lá a achar que será a maior injustiça dos óscares deste ano (não ir ganhar nada - porque não vai).

sem-se-ver disse...

(ah, e tb eu fiquei a achar que não tinha sido necessário o 3D)

Pedro Guilherme-Moreira disse...

minha cara invisibilidade, obrigado pelos comentários e gratidão pela poesia completa