2012-02-11

Abrazos (variações em lá maior)

não lhe chames infelicidade
é antes uma incerteza nas caras
sempre melhor do que a forma como te desfazes na boca
em cubos de alcaçuz com óleo de anis
demasiado doces demasiado outros
para subitamente dizeres larga-me
tenho de ir
- porque é que as fotografias deles estão sempre bem
e as nossas não?
- serão felizes mesmo?
lá estás tu do pedestal
é terrível a forma como sobes todas as
noites
só porque te dirijo aquela frase sem advérbio de modo 
és bonita de qualquer maneira
e tu sobes protestando
que um cavalheiro diria especialmente
especialmente qualquercoisa
- e depois estão sempre em todos os lados do
mundo,
é estranho, marido, que só naqueles sábados
fechados em casa
por um estar doente ou não haver o que gastar
a pressentir o teu sorriso à vista do meu corpo nu
completo e imperfeito
eu chegue ao pico da forma?
que a minha plenitude seja a tua mão
de manhã?
a cama do teu vulto no prelúdio
do meu?
estão sempre a sorrir nas revistas
a dançar nas televisões
a brilhar nas rádios
gargalhadas sinfonias rímel base cheiro pele
e tu que és bonita de qualquer maneira
não lhe chames
infelicidade
é antes uma incerteza nas caras
sobe em vez de ao pedestal
comigo neste abraço
até roçarmos as nucas
no tecto
as costas dobradas sobre o caule do outro
macanudo ao largo com o lápis de despir
bajamos que tengo que ir a trabajar
sí, you también
después nos vemos?
dale.


PG-M 2012
exercício sobre desenho de Macanudo

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