2012-02-27

5-5, vantagem para Weinstein (óscares 84th, 2012)

Já todos sabemos que "O artista" é um filme americano que Harvey Weinstein deixou disfarçado de francês. E isso importa o quê? É um filme encantador, como já se escreveu aqui. Tal como Jean Dujardin fez um once in a lifetime role que tinha de ser premiado. Apesar dos estafados discursos de teóricos e xenófobos, um sábio equilíbrio resultou num 5-5 entre "O artista" e "Hugo", dois filmes que celebram o cinema e que nenhum teórico amará. Ter sido "O artista" o grande vencedor é o justo prémio para o filme que constitui a maior perda se não for visto. Porque é uma experiência magnífica. E a vitória histórica da Meryl com um intenso discurso a desvalorizar o óscar e a valorizar o que também os teóricos nunca amarão: a verdadeira amizade, essa que é cumprida com lealdade e sem anúncio. No departamento dos fait-divers, esta foi das mais apagadas cerimónias de sempre, mas o número do "Cirque du Soleil" é de tirar a respiração. Billy Crystal não foi unânime, mas para mim, além de ser Guilherme e com mais ou menos botox, será sempre o meu apresentador de óscares. Na prática, a minha expectativa foi sempre o filme inicial em que ele "invade" os filmes nomeados e depois os canta a la Boradway. It's a wonderfull night for the oscar night. Trapinhos, dizem que a Jessica Chastain compensou o apagamento dos globos de ouro (já pareço uma "gaja" a falar), a Angelina, finalmente, prevaricou, porque quis mostrar as partes escanzeladas e, por linda que seja, acabou vítima de bullying por um grupo de vencedores do óscar do melhor argumento adaptado ("Os descendentes"), com destaque para Jim Rash. Mas houve quem gostasse, há sempre. Bérénice Bejo, já se sabia, é apagada na televisão, o que ainda dá mais valor ao seu desempenho n"O Artista". Não houve total justiça no óscar da melhor actriz secundária, porque Janet McTeer (disse-se aqui) deveria ter sido inultrapassável, mas não está mal entregue a Octavia Spencer, como não estaria a Jessica Chastain. Na melhor actriz, eu tinha o fraquinho pela composição de Michelle Williams, mas concedo que, se não o entregassem este ano a Meryl, mais valia enterrá-la. Tem 3, falta agora um para igualar Katherine Hepburn, há muito a líder destacada com 4. Espera-se mais criatividade e menos contabilidade na próxima cerimónia. Ao contrário do que sói dizer-se, a academia conseguiu fazer a melhor cerimónia de sempre, no meu entender, em 2009 (ler comentário a essa cerimónia aqui). Já não me importo que para o ano não seja o Billy Crystal, mas gostei que tivesse sido. De relevante, e porque considero "O Artista" um filme weinstein-americano, este foi um bom ano para a América, ao contrário do anterior, em que nenhum filme americano figurava no meu top 5 privativo. Este ano, o iraniano "Uma separação" foi a excepção. Bons óscares para o ano, dizem que com Gatsby repristinado, entre outros.

PG-M 2012

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