2012-01-16

Seriously (Globos de Ouro 2012)?

O que ressalta nos Globos de Ouro 2012 é a forma como vamos sendo desinformados de há uns anos a esta parte. Era bom que as agências noticiosas que fazem o sumário matinal tivessem tido jornalistas a ver a cerimónia, mas as mais das vezes colhem a informação pela mera consulta (na diagonal) da lista de prémios, havendo frequentes confusões entre drama e comédia, televisão e cinema. A Michelle Williams, por exemplo, com a sua brilhante prestação e vitória pelo papel em que encarna Marilyn Monroe, foi omitida em quase todos os serviços noticiosos, que esqueceram a distinção entre comédia e drama. Vai daí, se queremos mesmo estar informados, temos de ver em directo ou ler jornais estrangeiros. Eu vi em directo pela primeira vez, e posso dizer que pode ter sido a última. É uma cerimónia apressada, alcoolizada e sem emoção. Nem o "glamour" da passadeira vermelha a salva. Ouvi dizer um comentarista - que, claramente, também não tinha visto em directo - na televisão portuguesa que "é uma cerimónia mais descontraída e em que os discursos são menos controlados". Usando uma expressão de espanto tão em voga nos EUA: seriously? Os discursos são ainda mais contados e cortados. Quem me vai lendo nesta página deve saber que acompanho os óscares em directo há vinte e seis anos, vai para vinte e sete. A cerimónia de 2010 foi absolutamente fascinante, mas mesmo a de 2011, que foi das piorzitas dos últimos anos, mete estes globos no bolso. Nem é pelo excesso de categorias: ao faltarem muitas técnicas, e ainda que haja essa "dicotomia" drama/ comédia, cinema/ televisão, os globos equiparam-se aos óscares em categorias (vinte e muitas).O que desiludiu foi a sensação de "enlatado" de cervejita na mão. E, sinceramente, fora o justíssimo prémio para a Kate Winslet, por Mildred Pierce (completamente omitido nos tais resuminhos), nada de entusiasmante ressaltou. Valha-nos o São Ricky Gervais, que apareceu muito pouco desta vez. E a Sofia Vergara. Também é comum dizer que são o prenúncio dos óscares: serão, mas não porque os votantes sejam visionários: apenas porque os lobbies são fortíssimos. E já alastram para os Bafta e para os Césares. Era bom que, pelo menos, deixassem os Goya em paz, que eu ando a visionar a lista de premiados dos últimos anos e ainda me tenho surpreendido com muitos filmes. Este é o ano em que o mundo, definitivamente, se americanizou. Se franchisou em EUA. Vocês ainda acham que "L'artiste", um dos vencedores do ano, é francês? Sabiam que o título orginal é mesmo em inglês: "The Artist"? Valha-nos a melhor notícia cinematográfica da década, até ver: William Edward Crystal volta para nós e apresenta a cerimónia 84 dos óscares, a 26 de Fevereiro de 2012, no Kodak Theatre. Ainda bem que o Eddie Murphy se chateou com os tipos. Ter o Billy Crystal de volta é, só por si, dois terços da emoção deste ano. É, juntamente com Bob Hope, o apresentador de óscares do século XX que nos vem, inesperadamente, visitar ao século XXI. Está mais velho e, não tenho dúvidas, melhor do que nunca. Até lá.

PG-M 2012
fonte da foto

1 comentário:

ana b. disse...

Concordo totalmente!
Tive que ir à net para saber quais os vencedores: a omissão de prémios nos noticiários foi mais que muita...
Ao contrário dos Oscares, que vejo religiosamente em direto (no meu serviço já todos sabem que, na 2ªf. seguinte meto uma folga), apenas vi uns resumos dos Globos: não tem a magia do Kodak Theatre.:) Definitivamente!