2012-01-22

Nunca digas livros nunca

Há uma razão para neste blogue a regra ser não escrever sobre livros.
E também há uma para que um advogado fascinado com as - e praticante das - novíssimas e criativas estratégias de Direito preventivo não tenha o mínimo jeito para executar estratégias no meio literário:
é que, por selvagem e supranumerária que esteja, a advocacia ainda tem uma ética e uma urbanidade. A ética é até protegida por lei. E os advogados - com as excepções que confirmam a regra -, mesmo quando se atacam, devem fazê-lo com a ética e a urbanidade que os regulam.
A literatura, se teve ética e urbanidade, há muito a perdeu. Da bondade nem se fala. 
Claro que, em profissões onde não há regulamentação, ética ou urbanidade, espera-se dos seus melhores elementos o exercício desses valores de forma individual, dando o exemplo aos demais.
O problema é que o meio literário é demasiado atractivo e charmoso para que os vaidosos e medíocres se contenham. Então chega-se a um ponto em que não é possível um saudável convívio social: estar no meio literário com inteligência é estar fora dele. Os próprios escritores dizem uns aos outros: não te preocupes com isso, escreve. Escreve apenas. Afinal, o escritores já não são o topo da "cadeia alimentar". As mais das vezes são tratados como uma "liability". Uns chatos. Uns melgas. 
Há uma razão para neste blogue a regra ser não escrever sobre livros: a ética e o conflito de interesses mandaria sempre escrever generalidades. Escrever bem ou mal sobre este ou aquele, por mais que a opinião seja legítima, nunca permitiria vencer a triste (mas necessária) regra da mulher de César. Sob anonimato sim - aí está uma excelente aplicação do anonimato - caso a preparação técnica e os conhecimentos fossem vastos, mas aqui conhece-se demasiado bem a ignorância para pensar sequer que seria possível lá chegar. Finalmente, quem quer escrever a sério tem de trabalhar muito: já bastam as conquistas que por cá se fazem ao tempo do Direito e estes dias têm vinte e quatro horas e um só estômago. Assim, o prazer dos livros, essa infinita gulodice, é passeado nas livrarias, em silêncio e tantas vezes em êxtase.  
Não há tertúlias na selva.

PG-M 2012

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