2012-01-31

Nenhuma "Separação" (e Sareh Bayat)

Primeiro esta Sareh Bayat. Ela já nos está a doer antes de acontecer alguma coisa de relevante.
Estejam atentos, é a empregada, e Hollywood, já que se prepara para juntar o óscar de melhor filme estrangeiro ao globo de ouro, devia arranjar-lhe uma nomeaçãozita. Tem uma interpretação portentosa.
Curiosamente, os menos bons são os protagonistas, o casal no processo de separação que dá nome ao filme, "Uma Separação". Os muito bons são a dita empregada, o pai senil (só consegui acreditar que ele não estava mesmo doente quando o vi receber o urso de prata em Berlim: chama-se Ali-Asghar Shahbazi), e as filhas, a maiorzita, Sarina Farahdi e a notável (notável!) pequenina Kimia Hosseini. Aliás, Berlim teve uma decisão muito sensata: deu o prémio de melhor actor e actriz  a conjuntos: o conjunto de actores e de actrizes do filme. É arrebatador como nos sentimos próximos de uma cultura que devia estar nos antípodas da ocidental. Não está. A questão religiosa nem sequer é o cerne da questão, embora seja verdade que o sufoco e a sensação de estranheza que a sucessão de pequenas (mas inúmeras) más decisões provoca é exponenciada e acelerada pela religião de Razieh (Sareh Bayat). O exemplo da sucessão de más decisões que pode levar à tragédia é também para nós e para as nossas vidas. Mas o maior exemplo para pode ser para o cinema português: uma vez mais fica a certeza de que não é a falta de meios que afasta o cinema português dos grandes palcos: é a falta de escrita. Este argumento é simples. Não pretende enfiar num filme as coisas típicas do Irão. Narra dois ou três dias muito simples e quase rotineiros. Mas ninguém consegue tirar os olhos do ecrã.
Principalmente quando Sareh Bayat olha para nós.
Nada nos prepara para aquele olhar.
Nada nos separa daquele olhar.

Sareh Bayat

PG-M 2012
fonte da foto 2

3 comentários:

ana b. disse...

Ainda não fui ver mas não vai passar do próximo fim de semana. Prometo!
Nesta altura do ano, estreiam tantos filmes bons que eu já nem sei para onde me virar.:)
Em contrapartida, existem meses em que não aparece nada de jeito: só lixo! Confesso que nunca percebi muito bem a política das distribuidoras...Em vez de os estrearem, gradualmente, nas salas, guardam tudo para o meses dos óscares: aparecem todos de sopetão!Isto até prejudica a carreira comercial dos filmes: duvido que haja muita gente com tempo para ir 3 ou 4 vezes, por semana, ao cinema. Eu vou 2 e ainda não consegui ir ver esse...

ana b. disse...

Ainda não fui ver mas não vai passar do próximo fim de semana. Prometo!
Nesta altura do ano, estreiam tantos filmes bons que eu já nem sei para onde me virar.:)
Em contrapartida, existem meses em que não aparece nada de jeito: só lixo! Confesso que nunca percebi muito bem a política das distribuidoras...Em vez de os estrearem, gradualmente, nas salas, guardam tudo para o meses dos óscares: aparecem todos de sopetão!Isto até prejudica a carreira comercial dos filmes: duvido que haja muita gente com tempo para ir 3 ou 4 vezes, por semana, ao cinema. Eu vou 2 e ainda não consegui ir ver esse...

Pedro Guilherme-Moreira disse...

e agora até já está avisada para olhar para a Sareh:)