2012-01-05

How deep (um pedido de desculpas permanente)


How deep?
Muito, já se sabe.
Por isso, extravasa para livros e pessoas.
Daí o "excesso" de pathos. E a estranheza.
Nem todos querem ser tocados. E fazem muito bem:).
A esses, as minhas eternas desculpas.
Os melhores amigos sempre me avisaram, em tempo: tu és assim, nós sabemos o que a casa gasta, mas não podes pedi-lo  a todos. É certo que a verdade crua é uma estupidez. Como a ausência total de hipocrisia. Caio para o excesso da primeira e para o decesso da segunda, o que está mal.
Por isso é justo. Ser confundido com um stalker qualquer é justo.
Porque esse é realmente um problema: querer saber dos outros. De uma forma activa. Sem se fingir de morto, como os cães amestrados.

Mesmo em redes sociais, onde os "cool" menos caridosos entendem a solidão de outros como um animal rastejante e nojento. Não é coisa de eu que sofra, solidão. Nem de outros males ou frustrações, como todos os que partem do pénis freudiano ou da careca hegeliana. Mas pode tocar-me, nunca se sabe. Para esses, vaidosos como não sói ser-se, a solidão adocicada da miúda ou da madura parola não tem perdão. Está mal. Eu digo que, mesmo que devamos moderar-lhes a dose, não é suposto que lhes cavemos a cova. Nenhum mal em exponenciar a sensualidade, a auto-estima, todo o mal em apoucar liminarmente os que sentimos como menores.

O que é feio, mesmo, é o auto-elogio. Um defeito enorme e incorrigível. Que é meu, só meu.
Portanto, por mais que invista na virtude, cairei sempre pela base: o bondoso não diz que o é.
O pérfido diz que é bondoso e anuncia-se cheio de boas intenções.
Vai que, embora as aparências enganem, eu aparento o inferno.
Seja. Também não contava com um julgamento em tempo útil.
"(...) À barca, à barca segura,
barca bem guarnecida,
à barca, à barca da vida! (...)"


PG-M 2012
fonte da foto

1 comentário:

Beatrix Kiddo disse...

Essa música, e essa versão...gosto muito.