2011-09-26

Uma nova semana


Ao olhar os outros através do fumo da noite estimo os que não olham para cá e temo os que reparam na mancha do meu corpo curvado sobre o cigarro a tomar sentido de amanhã, deixem-me em paz, direi, deixa-me em paz, dirão. Vai um cigarro? Não me levanto no alpendre. Não sorrio. Inclino a cabeça atrás de outra baforada. A vénia. E a semana entra de laço com estranhos.


PG-M 2011
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2011-09-25

A história de um tracinho entre o Guilherme e o Moreira e entre a manhã e o mundo

Nota: a convite da Cristina Delgado, escrevi um texto para a secção de Domingo do blogue "O tempo entre os meus livros". Aproveitei para fazer luz sobre o tracinho. Aqui fica o texto: 

O senhor Menezes é um tipógrafo em Espinho que trabalha para a empresa da família há muitos anos. Quando o filho do patrão lhe pediu para ser ele a fazer os primeiro cartões para o seu tirocínio como advogado deu, como modelo, uns em que um tal José Pedro unia o Aguiar ao Branco com um hífen. Ora, o José Pedro também os tem separado no Bilhete de Identidade, mas como José Branco nada lhe dizia e o pai e o irmão mais velho há muito usavam o Aguiar com o Branco, mandou unir com cordel de hífen. O José Pedro foi a ministro, melhor ainda, o José Pedro foi aos "Gato Fedorento esmiúçam os sufrágios", que não dá pensão mas dá prestígio social. Ora, o bom do Pedro não pediu ao tipógrafo para atar o Guilherme ao Moreira, mas o bom senhor copiou pelo modelo e encaminhou meia grosa de cartões para a praia onde morava o nosso herói. Quando viu, Pedro indignou-se. Quando olhou sorriu. Depois gostou. Como Pedro Moreira é coisa que nunca lhe soara, pois todos os primogénitos da família, há umas boas gerações, se chamaram qualquercoisa Guilherme ou Guilherme qualquercoisa ficou assim, Guilherme tracinho Moreira. Pois o Pedro Guilherme-Moreira já usou Pedro Pedrosa. Tem um nome comprido no Bilhete de Identidade, que em 2011 ainda não é do Cidadão. Seis vocábulos. Um dia, um professor de português a quem chamavam poeta maluco mas era Luís Carlos e lhe deu nega por escrever bem mandou os meninos chapar o seu nome completo numa folha ali mesmo, de pé, perante ele. Quando chegou a vez do Pedro, e como a primeira linha tinha acabado e o próximo nome era Pedrosa, começou a escrever este mesmo na segunda linha. Ora, Pedrosa começa por Pedro e termina com sa. Quando o poeta maluco viu um Pedro alinhado com outro Pedro, que ainda por cima era a mesma pessoa, desferiu um tabefe sobre as faces rosadas dos dois que eram um só. Pumba. Agora o Pedro Guilherme-Moreira, que já não usa Pedrosa, gostava de reencontrar esse professor para medirem as mãos. E outras coisas. O Pedro nasceu no final da década de sessenta no Porto. Viveu nas Antas, aprendeu a andar de bicicleta dentro do pavilhão do Fê Cê Pê e andou ao colo daquela equipa de futebol do Porto com o Fonseca, Simões, Freitas, Murça, Gomes, etc, etc. O pai foi internacional de voleibol pelo mesmo clube e contagiou a família toda. O Pedro também foi voleibolista federado durante muitos anos, treinou com a selecção nacional, onde foi partir os pés, era um ano mais velho que o Maia e do tamanho do Brenha, que é algo a rondar dois metros, o que é bom para concertos ao vivo. Vejam o seu desempenho brilhante nos anos oitenta, jogando pelo Colégio dos Carvalhos, onde estudou, desempenho tributário da imagem do Serafim Saudade, que estava a nascer (é o oito):

 É bisneto de escultor, neto de comerciantes, filho de pintora e engenheiro.

Ora, o tracinho, como veio a ser carinhosamente apelidado pelos seus colegas advogados, seguiu vida no trólei três, como se sabe, como Torga, com quem nunca falou, mesmo habitando na zona dos Olivais, perto do Dr Adolfo Rocha, ou Miguel. Formou-se em Direito em Coimbra e exerce apaixonadamente há mais de quinze anos, sendo que a paixão esmoreceu à custa de muita tibieza. Já vinha escrevendo desde que oferecera aquela fábula à professora Laura, aos sete anos, e nunca mais parou: poesia sempre, mas a prosa ainda não estava bem. Nem aos vinte, nem aos trinta. E eis que um acidente grave da prima Susana o fez obrigar-se, ao espelho, a terminar o livro sobre a guerra civil estradal que levava sete páginas escritas em cinco anos. Começou por volta dos trinta e cinco e nunca mais parou. Até hoje. Hoje também não parou. Escreveu mais de mil páginas de enfiada e experimentou todos os estilos, e tudo o que lia era bom para rasgar a página, voar a página, mastigar, deglutir, cheirar. A prosa passou a ser-lhe compulsiva, mas a poesia volta cada vez que termina um livro, e enquanto não começa outro. Ser pai tem sido também um projecto visceral e arrebatador, mas durante três anos nenhum poema se veio colar ao seu bebé. Aos três anos, contudo, veio o


FILHO

A mão dele ainda cabe aberta

Na minha mão fechada.

No dia em que não couber,

vou em busca do abraço

que encerre em mim uma volta.

Os olhos dele ainda brilham

nas frestas do olhar do pai.

No dia em que não brilharem,

buscarei em mim o véu

que lhe devolva o horizonte.

E os seus ouvidos vibram,

desaguando os meus passos.

No dia em que não vibrarem,

vou em busca do silêncio

que me deixe ouvir os seus.

Enfim, um dia, o meu filho,

não vai querer um beijo meu

à porta da sua escola.

Nesse dia, a ternura

que docemente traduz

a violência pura

do amor,

vai sentar-se na mão,

a mesma mão

que em si fechava a sua,

e descansar

sobre o seu ombro,

calada.

Se ao menos nesse dia ele deixasse

fechar sobre si o abraço...

Pedro Guilherme-Moreira

2003-07-30

E é homem de todas as mulheres mas de uma só, e não é a mãe, é aquela com quem namora há vinte e cinco anos e que ama ao Domingo.


Ao Domingo,
amo-te do outro lado da casa,
fico à escuta de joelhos
sob a manta escocesa


Ao Domingo,
amo-te por seres uma certeza

E podia contar mais, mas chega a manhã do Mundo.

Aproximou-se assim:

Chegou assim:

E finalmente, em homenagem às mulheres, contou uma parte da história assim:

Quando no dia 11 de Setembro o professor Marcelo escolheu o livro do tracinho, o Pedro Guilherme-Moreira recolheu-se, humilde, perante a certeza de que mais de um milhão de pessoa estavam a vê-lo naquele momento.

Então o Pedro Guilherme-Moreira soube que aquilo que tinha decidido, nunca mais parar, era para levar avante, não por si, mas pelos abnegados leitores que lhe têm enchido a alma. (...) 
PG-M 2011

2011-09-22

O sistema circulatório das palavras

Não encarei as minhas recentes idas às televisões como actos de normalidade. Quase assisti de fora, como qualquer curioso. E nunca gostei. Como poderia, se me vejo toldado? Como poderia, se recebi um décimo do que eu próprio sou ao espelho, que ainda assim será o dobro do que os outros têm de mim para si e metade do que o Valter Hugo Mãe diz que somos quando amamos ou somos amados?

Quando escrevo, as palavras saem-me do peito, aquecem viajando pelo sangue e chegam em ebulição à ponta dos dedos. Normalmente desdobro-as como lençóis distendendo as falanges, e só depois as verto para o pedaço em branco, que já nem papel é. É um processo eminentemente físico. Já não é o indicador e o polegar a sustentar a pena, com o lápis ou a caneta *, são os dedos todos, como se abordasse um piano e nele tocasse uma sinfonia surda. Escrever é cada vez mais parecido com música. A relação que tenho com os diversos teclados tem de envolver a carícia, a percepção do material de que são feitas, do bisel ou, agora, da consistência dos ecrãs. Só quando o espaço em branco já o não é entra o cérebro.

Em conversa com outra pessoa o processo é idêntico, mas há um breve estágio no cérebro, o regresso às mãos, que se movem e tocam o outro e a expressão das palavras pelos lábios e pelos olhos. E as não ditas, que ficam na inclinação do corpo, do rosto, nos sorrisos e nos silêncios. Às vezes em beijos ou em apertos de mãos. Em abraços. Em pancadas nas costas. Em corpos que se cingem, mesmo que parcialmente.

Quando falei nas televisões, as minhas mãos estiveram, quase sempre, imóveis. Sei que, quando os amigos ou conhecidos me disseram que estive bem, o "estar bem" é não ter comprometido. Antecipei algumas perguntas, mas nunca fui capaz de as abordar como abordo qualquer tema por escrito. Fico sem ideias e sem vocabulário, sem cultura, esqueço-me, sou eu próprio a folha em branco, desconheço e estranho aquele processo físico em que o cérebro se tem de antecipar, e rapidamente, a tudo o resto. Olho para cima e para baixo, se tenho muitas ideias gaguejo, se tenho uma só digo pouco. Não sei fazer nada primeiro com a cabeça. Gelo. Fico preso de movimentos.

Só um momento me faz justiça: quando a incapacidade, - esta imensa incapacidade de honrar a vontade de comunicar - sai quase como um pedido de desculpas pendurado no sorriso e nos meus olhos se consegue ler a humildade e o respeito pelo interlocutor.  Momentos houve em que foi possível comunicar pelo silêncio e pelo toque, mas antes ou depois do directo ou da gravação, nunca durante.

A reflexão, contudo, deu-me o mapa do (meu) sistema circulatório de palavras.
Conhecer-nos é um contributo para sermos melhores perante todos.

* pela caneta ou pelo lápis estou moribundo. Sou da geração que está em crise com a caligrafia e em relação com a dactilografia. Não dramatizo. Aliás, ao escrever à mão devemos ter apenas o dever cívico da perceptibilidade. Concordo com o exercício de caligrafia das crianças na primária, precisamente pelo treino de perceptibilidade, mas discordo que continuemos a querer descaracterizar a letra dos miúdos do quinto ano em diante. Apenas as profissões que têm a caligrafia como parte do seu objecto, que praticamente já não existem, devem manter essa preocupação de retirar todo o sentimento e personalidade das letras para atingir uma caligrafia média. Essas profissões, enquanto sobreviverem, fazem parte de especializações. A letra, devendo ser perceptível, deve também conter sentimento. Mostrar a um menino a letra redondinha de uma menina como modelo é falta de respeito pela sua idiossincrasia. Não tenho caligrafia. Não quero ter. Quero ter letra nos raros momentos em que precise dela. Escrevo em letra de forma há muitos anos. E nem me digam que se deixaram de escrever cartas por causa disto. Eu faço por, desde que me lembro, dizer ou escrever uma coisa diferente a alguém todos os dias. A minha mulher é a mais bafejada, claro, mas não há amigo ou conhecido que não tenha direito à minha carta escrita, mesmo que seja oral, durante a vida. Tenho esse vício de comunicar e de dizer o que tem de ser dito, antes que a morte.
Tem havido pessoas que acham que essa alma sempre aberta está disponível para a desbunda, outros assustam-se, pensando que vão ser colonizados por mim. Mas quando eu digo que dou a alma - por vezes até parte do corpo - a todos não quero dizer que permito que excedam o meu acto de dávida e o queiram tornar uma obrigação regular ou reiterada. Aceito uma dádiva de resposta, não duas. Porque eu regresso sempre ao meu canto e desapareço. É o meu defeito, o meu excesso de pathos, como tão bem me leu o Zé Mário Silva.:). 

PG-M 2011

2011-09-21

Mulheres de fato-de-treino de duas peças combinadas: uma emergência social

Há um infantário aqui na terra em que a farda das educadoras é um fato-de-treino de duas peças combinadas com o logótipo da instituição, e que elas vestem todo o ano durante o horário de expediente. Há duas multinacionais aqui na terra em que as pessoas trabalham por turnos vinte e quatro horas por dia e nenhuma delas veste fato-de-treino. Ao longo dos anos sempre pensei o que seria daquelas crianças, tendo por referência mulheres de fato-de-treino de duas peças combinadas.
A coisa piorou. O infantário passou a admitir alunos para o ensino primário, e todos sabemos que no fim da quarta classe os meninos já olham para o lado feminino com uma certa conotação sexual. Passei a temer por aquelas crianças, com a certeza de que não demoraria muito tempo até que as suas fantasias sexuais incluíssem uma mulher de fato-de-treino de duas peças combinadas. O lado bom dessa tragédia é que sonhariam, certamente, estar a tirar o fato-de-treino de duas peças combinadas, de uma só vez e à bruta, às senhoras. O lado mau é começarem a ir para a escola secundária também de fato-de-treino. Tenho um irmão que andou nesse infantário e é hoje um inadaptado que leva para o emprego, diariamente, um fato-de-treino Domyos, que, apesar de ser uma marca de grande qualidade e prestígio social, contribui para lhe toldar o entendimento. É ostracizado desde tenra idade, ao ponto de também nós, na família, nos termos visto obrigados a usar fatos-de-treino quando o acompanhávamos à escola, à discoteca ou ao café, para propiciar a inclusão. O meu irmão começou a ter apoio da segurança social. O problema é que muitas das assistentes sociais que tratam destes casos de emergência social também usam fato-de-treino de duas peças combinadas.
É verdade que ao fim-de-semana as educadoras do infantário cá da terra largam o fato-de-treino de duas peças combinadas e tornam o chinês que é dono da loja chinesa orgulhoso. Mas um vôo picado de qualquer aeronave pessoal poderia detectar as centenas de fatos-de-treino a poluir os estendais da vila, em vez de roupa branca, precisamente na altura em que todos os fatos-de-treino saem à rua para as passeatas saudáveis de fim-de-semana.
Tenho um primo que me disse que já viu, como seus próprios olhos, os que a terra há-de comer, casais e grupos de casais a fazer jogging com fatos-de-treino rigorosamente iguais uns aos outros, e que a sua namorada, uma figura pública locutora de televisão, teve uma quebra de tensão naquele preciso momento, batendo com a cabeça no lancil. Foi apenas um susto, mas, uma vez mais, é incrível que nenhuma autoridade pública esteja sensibilizada para o carácter alargado desta emergência social e para a alta perigosidade dos indivíduos que estão sujeitos a nela cair.
Espero que o governo gaste alguns milhões numa campanha que recupere os fatos-de-ballet com que todas as mulheres faziam exercício físico nos anos oitenta, mesmo que não bailassem.
Ou então que obrigue os fabricante de fatos-de-treino de duas peças combinadas a debruar frases iguais às que mandaram imprimir nos maços de tabaco: "usar fato-de-treino de duas peças combinadas pode matar alguém".
A esperança maior ainda é o Acordo Ortográfico, que vai separar o fato do treino e torná-lo ininteligível como entidade autónoma. Valham-nos os linguistas.

PG-M 2011

2011-09-14

As mulheres da televisão

As mulheres da televisão
são violinos
com fio de ébano nos contornos
e alma.
A alma
é uma peça cilíndrica cravada sob presão
por dentro do corpo
para ligar o tampo ao fundo
e potenciar a emoção.

O construtor procura por tentativas
o ponto ideal
e a pele.
A pele
alinha-se em folha de faia
epícia
e ácer
e as cordas das mulheres da televisão são vibradas
pelo arco
que vem dos cavalos livres
por supinação.
Há vésperas de stacatto
com lágrimas sempre
tácitas, a raiva
intuída, a arte
sofrida.


nos dias maus em que os primatas civilizados reclamam o direito à inivisibilidade
as mulheres da televisão
estão a gravar
e há sempre um cabrão na internet
a chamar-lhes grandes putas
As mulheres da televisão são impolutas


puras
francas
claras
enfiando as cabeças nos ecrãs
primordiais
nas conversas viscerais
da solidão
quando era um quarto
o mundo




As mulheres da televisão
não querem ser como estão
untadas de perfeição


e são frequentemente encontradas nos espelhos da planície


a despojar tristeza
e óxido de ferro
com toalhetes húmidos




PG-M 2011
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2011-09-11

11 de Setembro (Professor Marcelo, RTPn e Notícias Magazine)

Hoje fomos muitos. Agora, e até aos 20 anos, seremos poucos. Nos próximos dez anos a ficção americana chegará, finalmente, às torres, e certamente mais portugueses além deste humilde escriba. Vai ser bom, um dia, partilhar tudo isto com mais pessoas: até este décimo aniversário tinham sido apenas os que o tinham como visceral. Foi um dia enorme. Duro. Acaba dentro de cinco minutos. Mas todos sabemos que o 11 de Setembro não acabará nunca.


Escrevi um livro, não vou escrever um post sobre o 11 de Setembro.
Talvez outro ano, um ano em que o 11 de Setembro seja uma mera nota de rodapé, como veio sendo nos anos subsequentes ao primeiro e antes deste.
Por causa do livro, fiz hoje uma visita em directo aos estúdios do Monte da Virgem, onde falei com a Maria João Silveira entre as 15h e as 15:30h para o Especial Informação sobre o 11 de Setembro. O facto de repetir que a televisão não é, decididamente, o meu meio, não me exime do esforço de comunicação, porque o livro, os livros, precisam disso como de pão para a boca, mas confesso que ainda não consegui encontrar o registo certo. No entanto, o que importa é enfrentar as câmaras com humildade, sem manias, sem fingir que se domina o que quer que seja. Quão frágeis todos somos. Neste dia duro em que se assinala o décimo aniversário do ataque à América foi bom tirar o dia para lembrar o João Aguiar - e conversar com a família nas páginas da Notícias Magazine, num artigo com uma profundidade anormal, graças à Taciana e ao Sebastian Aguiar, este um miúdo de 19 ano com um discurso que me impressionou (também a Taciana, mais madura, muito directa - por vezes trespassante). Ele cáustico, crítico. Pela noite, uma surpresa que ainda não vi, mas que me foi contada por amigos: parece que o Professor Marcelo abriu o comentário aconselhando aos leitores "A manhã do mundo". Foi um remate bonito para este dia tremendo. Mal tenha ligações para as aparições televisivas e para o Professor Marcelo, deixo-as aqui, lá mais para o fundo. Por ora fiquem com as páginas de hoje da Notícias Magazine. Bom resto de 11 de Setembro.
PS: entretanto, apareceu o link do Professor Marcelo, que entra antes do artigo da NM
PG-M 2011

Professor Marcelo apresenta "A manhã do mundo" no dia 11 de Setembro de 2011. Vídeo aqui:
Clique nas fotos para aumentar:



Artigo especial na Notícias Magazine de hoje, 11 de Setembro de 2011, em que converso com a família Aguiar tomando como pretexto o livro (cliquem sobre as fotos para aumentar, pf):





2011-09-10

Passagem pela RTP2 (Diário Câmara Clara)

Abro mais uma excepção sobre a inclusão de questões relacionadas com os livros cá no blogue porque quero partilhar convosco a minha grata passagem pelo Diário Câmara Clara. Gravado a 15 de Julho, passou a 9 de Setembro de 2011, a dois dias da grande efeméride dos dez anos do 11 de Setembro de 2001. Carregar na fotografia para ver programa - eu e o livro passámos entre os 3'27" e so 4'40".

2011-09-09

(comboio) Nem nunca mais


tem o cabelo apanhado
castanho lúcido
os olhos claros de que não vejo
a cor exacta
porque a certeza
era o resto do pudor.
É linda
completamente em silêncio
quase infinita
no detalhe.
Algum sol na pele
uma boca igual à minha
mas intocada.
Deve ter vinte e cinco
dois telemóveis
e tudo rosa menos
as calças de ganga
e o iphone.
É límpida
e não me vê
transparente.
Tem, claro,
como todos temos nos comboios,
a violência da despedida
na face.


Malgré tout.

PG-M 2011
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